não é o tempo breviário? testemunho de terem nascido os homens para a morte porque vida é tudo que foge à eternidade? por isso criei a ternura e fiz dos anjos mensageiros de minha imensidão. por isso exprimi a dor que me consome naquilo que vocês ousaram chamar de esperança. por isso, fiz de mim expiação. eu, a quem chamam de louco. eu, de quem esqueceram o rosto. abismo aos míseros e redenção aos condenados. eu, que das margens pari a nascente, digo-vos novamente: sou-me carne a quem fui solidão.
quinta-feira, junho 24, 2010
não é o tempo breviário? testemunho de terem nascido os homens para a morte porque vida é tudo que foge à eternidade? por isso criei a ternura e fiz dos anjos mensageiros de minha imensidão. por isso exprimi a dor que me consome naquilo que vocês ousaram chamar de esperança. por isso, fiz de mim expiação. eu, a quem chamam de louco. eu, de quem esqueceram o rosto. abismo aos míseros e redenção aos condenados. eu, que das margens pari a nascente, digo-vos novamente: sou-me carne a quem fui solidão.
sábado, junho 12, 2010
.
domingo, maio 23, 2010
sobras de um livro porvir
terça-feira, maio 11, 2010
sobras de um livro porvir

refugiar-me aqui
onde não há mais traços de você
e ao silêncio aferrolhar o inverno
para que o tempo recue
limpando de mim toda cicatriz
II
relembrar-me aqui
onde ainda sou você
é desmesurar o que perdoa
esqueletando o destino
para levar de mim todo sonho
III
brincar-me aqui
entre os girassóis que teus cílios plantei
é carrosselar feito criança
que descobre em seus dedos
ninharal de arco-íris
sábado, maio 01, 2010
.
mas não é tudo silêncio? os dias. os desassossegos. a terra úmida que sepultará minha incompletude. mas não é tudo um ciclo? rio onde outrora éramos memória. primavera que deserta turva-nos o poente. paragem áspera desaninhando pardais.............................
[o húmus do qual fiz meus ossos e carne..............................
gesta um amanhã atado ao que não virá]
segunda-feira, abril 26, 2010
naquele poente de domingo com gosto de chuva.
somos Áries, ajudar-lhe-ei a tirar as botas como Laura o fez
e a borboleta litografada voará liberta da parede
dança feita de encantamentos
porque era assim que se via às vezes, como que nascida de um livro
só que não amareleceria, nunca.
então pariu-se fêmea àquele desconhecido
no tapete sobre o chão
ali mesmo, entre as roupas e sonhos do homem que ama
porque a ele negou-se ao entregar-lhe o coração
mesmo desejando dele ser pra sempre, doce mania de querer-se um conto
porque Áries é o signo da solidão
e solidão tem fome de todos
e não sabe devorar a si
e acaba sem ninguém
porque ninguém nos quer, os solitários
mas isso aquele estranho nunca saberia,
porque nus, bêbados de lascívia e de gozo
já perto do anoitecer, a si bastavam.
quarta-feira, abril 21, 2010
levemos a beleza adiante.
o que restaria?
II
lembro de um dia qualquer
mas especial porque estava contigo
e você sorria como quem salva do tempo a leveza
que esquecemos junto aos brinquedos
empoeirados pelo destino do velho baú
– reinvento dia após dia a minha infância
é a forma que encontro para em mim nada mais partir...
III
ipês brancos, disseram
mas estamos outono e na primavera faço aniversário e não há amigos por perto e meu avô minha tia e minha mãe já morreram e eu esqueci como abraçar meu pai e meu irmão é o estranho que me fiz.
você ainda estará por lá?
ainda saberei do teu cheiro?
teus rastros caminharão o homem que sou em mim?
IV
a beleza que é gratuita
contenta-se com um olhar
um abraço
um adeus, quando for a hora
(convença-me do contrário, tu e as tuas verdades)
V
eu sempre cri nas tuas mãos
nas linhas dos teus destinos que são meus cata-ventos
trôpego e irascível que sou
.
não, não sou eu quem traz as notícias das manhãs domingo
elas são de outros lugares onde sou deserto
cacto que ninguém vê
(durmo aquietado pra não te acarinhar aqui)
.
eu sairia tarde afora com teus pés nos meus descalços
e do teu coração grande demais
bastar-me-ia o não visível
pra do teu sono, ser quem contigo irá despertar
VIII
há no tempo incerteza
errante que somos.
com amor,
d.
quinta-feira, abril 15, 2010
domingo, março 07, 2010
domingo, fevereiro 07, 2010

segunda-feira, fevereiro 01, 2010
sexta-feira, janeiro 22, 2010

domingo, janeiro 10, 2010

sábado, janeiro 02, 2010
quinta-feira, dezembro 17, 2009

in memorian
I
a doce vó partiu
e aquela manhã vestida de luto
sobre nossos ombros desabou
a imensidão do céu
II
a morte fratura memórias
ossada abandonada por deus
porque já não temos para onde ir
porque já não há mais a quem falar
III
vó,
diz-nos então de que vale agora
prece lamento e pranto
se miseráveis que somos
há muito de ti fizemo-nos distantes?
.
vó,
não te abracei porque frio
não te escuto porque ímpio
não te mereço porque são
domingo, novembro 29, 2009

diferente de ti, eu não condenava. porque ainda criança sabia: em minhas mãos padeceriam única e exclusivamente em nome do desespero escrito em letras mortas, enterradas em meus ossos, que era pra não quebrar nem aparecer nem ter cheiro ou cor ou algo mais que deixasse vestígios. desespero que nascia do medo de eu não ser o único naquele quarto – vozes apareciam ao cair da noite, obrigando-me a ficar ali, quieto e em vigília – para que assim pudesse extirpar, no nascedouro, meus sonhos.
quinta-feira, novembro 19, 2009
fragmento
ei-la aqui, envelhecida
arrastando sua carcaça pela casa
desmemoriando em minhas entranhas
o caminho a ser proscrito
malograda e inoportuna
reconhece meus assombros
e transfigura-me em rancor
ao repetir a si mesma
infortúnios
você dirá que eu mesmo a criei
mas dela eu fujo e busco refúgio
algo ou alguém assim tão límpido
[nela sou o nexo]
dela, minha escuridão
segunda-feira, novembro 02, 2009

domingo, outubro 25, 2009
segunda-feira, outubro 19, 2009
sexta-feira, outubro 09, 2009
quarta-feira, setembro 23, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009

esses homens
.
ecoando frases vazias
maquinando na minha cabeça
o eixo a ser seguido
furiosos e sãos
abrem todas portas
quando chego
e ficam estáticos
diante de mim
espiando...
você dirá que eu mesmo os invento e nutro
mas neles creio porque todo homem deve crer
em algo ou alguém
que não esteja limpo
deles sou o foco
eles, minha redenção
sexta-feira, setembro 11, 2009
quarta-feira, setembro 02, 2009
e eu ainda vivia-me infância
quando vi meus brinquedos entristecerem
porque eu não conseguiria mais brincá-los
mamãe morreu num abril distante
fazia uma tarde cinzenta
que logo virou chuva forte
o que alguém disse serem anjos chorando
mamãe morreu em silêncio
deitada em sua cama
no quarto que tanto me faz falta
pois não mais tenho um lugar chamado casa
mamãe morreu uma morte arrastada
que sobre ela voraz debruçou-se
sem deixá-la futuro algum
embora dissessem que deus por ela esperava
mamãe morreu faz tanto tempo
que sua voz de mim parece fugir
também seus olhos castanhos e tenros
nos quais menino feliz eu me via
mamãe morreu e eu não disse adeus
mamãe morreu e eu não soube chorar
mamãe morreu e eu enterrei tantos sonhos
e ainda hoje pergunto onde deus poderia estar
sexta-feira, julho 24, 2009

a quem tocaria
deixou-nos infortúnio
e luto
.
rumor eviscerado
feito os amanhãs que de ti
desconhecerei
.
embora saiba
sermos do ventre o avesso
porque arremedo de homens
[parimo-nos]
.
cala-te então
carne da minha carne...
o tempo do medo
findará
.
e girassóis hão de tingir
de azul a última noite
levando esses demônios
.
[embora daqui]
sexta-feira, julho 17, 2009

eu não os entendo...
por que ficam
naquilo que sonho
quando sequer suas vozes
ou um débil traço de memória
acalenta-me sempre que deles
sinto o pesar?
meus mortos
eu não os tenho...
porque ficam
entremeados a quem serei
quando percorrem meus caminhos
revisitando meu destino
entregando-me ao ocaso
quarta-feira, julho 08, 2009

aquarelo histórias em segredo
e porque nelas sou feliz
guardo-as numa gaveta bem pequena
[para que ao envelhecer]
meus filhos possam contá-las
os presságios de deus pouco importam
se ao dormir minha mãe beija-me a testa
deixando comigo seus anjos da guarda
[e eu já não temo mais]
o dia em que morrerei
poeto histórias que não vivi
e porque nelas serei novamente criança
aninho-as à sombra de girassóis
[para que ao morrer]
meus filhos possam sonhá-las
a crueza de deus pouco importa
se quando a dor chegar faminta de tudo
da tristeza eu fizer rio infinito
[e assim partiremos mundo afora]
nos barquinhos de papel feitos por meu pai
domingo, junho 28, 2009
sexta-feira, junho 19, 2009
fragmento

terça-feira, junho 02, 2009
sexta-feira, maio 08, 2009
sexta-feira, maio 01, 2009
fragmentos de um livro por vir
quinta-feira, abril 23, 2009
terça-feira, abril 14, 2009
[travessa do chaco número cento e setenta e dois
– ali moravam
a avó: conhecera vargas pessoalmente e disso orgulhava-se; mais tarde seria vitimada por um acidente vascular cerebral
o menino loiro: sonhava ser lennon ou barrett; adulto, mero advogado beberrão e insone
a criada: gorda, negra, sorridente e servil; terminará seus dias sozinha
o tio: ridiculamente histérico, afeminado e flácido
ali, as portas rangiam, o teto tinha goteiras, as paredes dos quartos e da sala há muito não eram pintadas
imune a todos, ana preta
a gata que escolhera aquela família como destino –
belém, 6 de janeiro de um ano qualquer.]
ana preta morreu
a gata angorá
que andava pelos corredores
daquele casebre e de todos sabia
trevas e demônios
agora
não os pode calar
sexta-feira, abril 10, 2009
era feita de carne e osso não era esse arremedo de mulher escondido sob tanta amargura desconfiança melancolia e desamor que pune a si ao enumerar forçosamente cada detalhe da madrugada onde tudo começou [aje desta maneira todos os dias exceto aos domingos quando finge estar em paz] porque não pode esquecer primeiro ter escutado o barulho de passos encurtando a distância entre os quartos seguido pelo ranger da porta que espantou pra sempre o seu anjo da guarda [por isso mais ninguém ouviu aquele sussurro ordenando que ficasse bem quietinha] e assim ficou a madrugada inteira sem saber que outras madrugadas ainda viriam deixando pra trás um silêncio sem nome [de lá pra cá perdeu a conta de quantos consigo deitaram fantasmas que foram] sabe apenas que nenhum será tão sujo mentiroso e assustador porque aquelas mãos a conheciam desde criancinha [e se antes aqueles abraços traziam proteção e segurança hoje são abismos de onde não saberia mais voltar]terça-feira, abril 07, 2009

quarta-feira, março 25, 2009
são paulo
sexta-feira, março 06, 2009
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
terça-feira, fevereiro 10, 2009
pela sua felicidade
você amanheceu-me
primavera e girassóis
arrancou a casca do medo
que voraz me sufocava
você acreditou no menino
de olhos castanhos
e mãos de chuva
que o adulto em mim
ano após ano
lentamente assassinava
mas agora partes
as ruas ficarão desertas
os sonhos ficarão vazios
as noites se farão eternas
e o amanhã talvez não diga
o caminho para te alcançar
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
terça-feira, janeiro 27, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009
o sono não é capaz de me vencer......................................repito
fixando os olhos ao que há lá fora
pra que sejam os teus passos
.............................................
........................e não os ruídos
..............................................
doutro amanhecer empalidecido
>>>>>>>>>>>>>>>>>
..................................a chegar
terça-feira, janeiro 13, 2009
acreditava que era possível
preencher o tempo
de uma pausa
[por isso os olhos gritavam]
desenhava ruídos
por dentro dos ossos
esqueleto feito de dor
[porque assim não sangrava]
repartia o medo
entre os mortos
encarnados em de si
[uma só vida não lhe bastava]
depurava virtudes
manipulando a razão
ao buscar o que nem sabia
[emprenhava-se enquanto vagava]
ontem pude vê-la pela última vez
tinham-lhe os olhos calado
a louca dos pés descalços
terça-feira, janeiro 06, 2009

celebro-te
não nestas noites povoadas por medos
que me impedem o sono
e só abandonam-me ao amanhecer
porque assim o querem
porque assim voltarão
celebro-te
não com estes olhos cansados
que me turvam os horizontes
e devoram-me naquilo que falta
porque assim os fiz
porque assim cri
celebro-te
na criança que sobreviveu ao homem
nos sonhos que brincam de chuva
nas aquarelas que cirandam memórias
nos girassóis que alvorecem poesia
no teu amor que eu sei logo mais virá
mãe.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
soube enterrá-los
ao cair da última noite
desse ano acinzentado
que hoje chega ao fim
meus demônios
rodearam-me os caminhos
com passos roubados da terra
e promessas sussurradas
ao nascer do sol
livre deles
desabriguei-me de medos
azulei as noites sem pálpebras
cindi as amarguras silentes
expurgando virtudes e crenças
meus demônios
já não os tenho comigo
e se hoje desconheço o destino
que aos meus destinos sobreviverá
amanhã serei eu o selo a me bastar
domingo, dezembro 28, 2008

.
a sala está cheia deles
posso contá-los noite afora
até cansar
e assim o faço
chamando-os pelo nome
acarinhando-os feito crias
porque míseros
iguais a mim
(é patético vê-los sorrir
é patético sabê-los aqui)
>
trazem nos olhos a cor do esquecimento
pois não sabem mais viver
sem que o medo os consuma
impunemente
e assim o fazem
celebrando a mediocridade
resguardando as aparências
porque bastam-se
agarrados a si
( é mordaça vê-los destino
é assombroso sabê-los meu fim)
quarta-feira, dezembro 17, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I
terça-feira, dezembro 09, 2008
"prelúdio ao homem de palha" tomo I
a inervação
onde toda claridade recua
sei
haverá homens
soterrados porque loucos
e em seus músculos e ossos
páginas em branco
.
.
do que dizem morte
o desassossego
onde toda fé desmorona
sei
haverá anjos
esquecidos porque lúcidos
e em suas asas e pálpebras
nuvens de chuva
quinta-feira, novembro 27, 2008
"prelúdio ao homem de palha" tomo I
segunda-feira, novembro 17, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I
sábado, novembro 01, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I

há um nada
a corroer-me a vigília
espaço turvo
entre os mortos
os que ficam
os que vagam
dentro de mim
eu gestei o sonho
do qual são vocês
apenas a pálpebra
há rezas caducas
só ouvidas quando noite
ponte atada
ao desassossego
dos que imolam
dos que arrefecem
alheios a mim
eu pari a sentença
da qual são vocês
apenas o verbo
segunda-feira, outubro 20, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
sei do abandono a quietude. meus sonhos vêm de lá. a demência que me anima é atroz. despedaça a esperança. emaranha o horizonte. e escapa. escorraçado fui dessa cidade de mil nomes ao cair da oitava noite, enquanto o outono lentamente jazia trancado em sombras. reunidos, aqueles homens eram coisa, amontoado de corpos volumosos e sujos a voltarem ódio contra mim. abjetos, por que esconderam o rosto quando passei? por que sussurraram às minhas costas? por que oraram em desespero àquele deus benevolente, risível farsa por eles inventada? por que roubaram meu excesso, ataram meu grito, serviram-se do meu saber, reviraram minhas memórias? achavam que assim mudariam o que lhes escrevi como destino? digo-vos então, homens acobertados pela fé, existirem verdades que chegam pouco antes de o arrebol, trazendo em si as vicissitudes da noite. espirais, alimentam a penúria dos injustos, esvaziando de estrelas o céu. opacas, desconhecem o orvalho e daninham o vindouro. quando mortas, descerram temores. pertencem a lugar nenhum. vide, a solidão peregrina alcançou o luar. eis que se completa a noite. sob o canto da rasga-mortalha, violado pelo jugo ferrenho do olhar de cada um de vós, em desatino sentencio: aqueles que hoje me tripudiaram, amanhã decerto temerão.























