quinta-feira, fevereiro 07, 2019






silêncio

[entranhas]

lugar 

inerte

resiste

solidão

domingo, janeiro 06, 2019


eu sou chuva
mas o ontem chegou desaguado
e da quaresmeira fez-se cinza
primavera que voltará
desbotando girassóis
avesso do desavesso do que é amor
[abandono à flor da pele]

terça-feira, outubro 09, 2018


desnuda a carne 

somos vultos

arremedos vicejantes de um deus qualquer, 

mal disfarçamos nossas certezas

vis



ocupamos o tempo de pessoas como nós

sufocadas como nós

amarguradas como todos nós

que não soubemos

amar

sábado, julho 21, 2018




naufragar de ti
todas as memórias
paisagens
coisas afins


afundar sem ti
toda a dor
sofreguidão
perdas sem fim


[até o fim]

terça-feira, junho 26, 2018



o cheiro do teu sorriso e do meu, amontoado
em um quarto vazio de quem somos
ocupa vagarosamente
o homem que se amálgama às sobras mim

[ajoelho, mas o silencio não sabe curar o fantasma que atende pelo meu nome]

quinta-feira, novembro 30, 2017



















o amor partiu

despedaçados, seguimos

colados à lonjura

rarefeita de nós

[desse pouco que resta em nós] 

segunda-feira, novembro 13, 2017


porque não havia lugares antes habitados


ou por desabitar


éramos quem sempre fomos

[mas estrangulados de nós dois]


restava-nos alimentar memórias descalcificadas


a caírem uma após a outra de nossas trêmulas mãos


sem forças para semear a terra


ou acenar adeus


[migalhas, eis o que são]