terça-feira, outubro 09, 2018


desnuda a carne 

somos vultos

arremedos vicejantes de um deus qualquer, 

mal disfarçamos nossas certezas

vis



ocupamos o tempo de pessoas como nós

sufocadas como nós

amarguradas como todos nós

que não soubemos

amar

sábado, julho 21, 2018




naufragar de ti
todas as memórias
paisagens
coisas afins


afundar sem ti
toda a dor
sofreguidão
perdas sem fim


[até o fim]

terça-feira, junho 26, 2018



o cheiro do teu sorriso e do meu, amontoado
em um quarto vazio de quem somos
ocupa vagarosamente
o homem que se amálgama às sobras mim

[ajoelho, mas o silencio não sabe curar o fantasma que atende pelo meu nome]

quinta-feira, novembro 30, 2017


















o amor partiu
despedaçados, seguimos
colados à lonjura
rarefeita de nós
[desse pouco que resta em nós] 

segunda-feira, novembro 13, 2017


porque não havia lugares antes habitados


ou por desabitar


éramos quem sempre fomos

[mas estrangulados de nós dois]


restava-nos alimentar memórias descalcificadas


a caírem uma após a outra de nossas trêmulas mãos


sem forças para semear a terra


ou acenar adeus


[migalhas, eis o que são]

domingo, abril 30, 2017

não lembro do seu último sorriso

tens olhos vagos

tuas mãos perderam a força

teus pés não sabem mais como andar


[sol a sol, o cheiro de fezes e urina confunde-se às memórias que guardarei do senhor]


sofro em silêncio com medo e só

e não sei se amarguro todo destino

ou ante deus enfim ajoelho

para saber-te descansar em paz


terça-feira, fevereiro 28, 2017

onde repousas

se o céu ficou preso aos pesadelos de infância

e sob meus pés encontro apenas

silêncio ruína e dor

as estações transfiguradas em lugar algum

tenho medo do adeus que não pude dizer-te

tenho medo daquilo que não sei

tenho medo

e sem tuas mãos por velar meu partir

sob as pálpebras repousará  sequer um sonho

que não o do menino aninhado em teu colo

escutando antigas canções de ninar