terça-feira, abril 14, 2009

[travessa do chaco número cento e setenta e dois
– ali moravam
a avó: conhecera vargas pessoalmente e disso orgulhava-se; mais tarde seria vitimada por um acidente vascular cerebral
o menino loiro: sonhava ser lennon ou barrett; adulto, mero advogado beberrão e insone
a criada: gorda, negra, sorridente e servil; terminará seus dias sozinha
o tio: ridiculamente histérico, afeminado e flácido
ali, as portas rangiam, o teto tinha goteiras, as paredes dos quartos e da sala há muito não eram pintadas
imune a todos, ana preta
a gata que escolhera aquela família como destino –
belém, 6 de janeiro de um ano qualquer.]


ana preta morreu
a gata angorá
que andava pelos corredores
daquele casebre e de todos sabia
trevas e demônios
agora
não os pode calar

6 comentários:

CeciLia disse...

são eles que sabem, sempre, meu caro escriba, são eles. São eles a notarem quando os silêncios mudam seu tom, quando as enxurradas estão prestes a precipitarem-se, quando as vidas chegam. E partem. Abraço

tb disse...

para isso existem os gatos...
há que tempos não adentrava este teu canto para beber das tuas belas palvras.
beijinho

Rútilo Nada disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luciana Marinho disse...

essas pupilas sabem do escuro da gente! penso nas anas pretas como penso nos querubins.

abraços!

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Passando, lendo, e gostando...


Abraço.

Ana M disse...

eu tinha uma gata angorá preta que conversava comigo. eu falava em fr com ela e ela me dava broncas incríveis quando me via triste demais. ela morreu e eu a enterrei debaixo de uma roseira. minha gata preta hj é um pé de rosas rosas. e vermelhas.
bisou

palavra da vez: inalamen (veio a calhar: minha ritine aperta; começou o tempo das alergias. baixa umidade relativa do ar. preciso de água)