quarta-feira, dezembro 28, 2011






desertor

fiz nossos sonhos

lugar para não mais voltar

quarta-feira, dezembro 07, 2011



trago o fogo dessa terra aniquilada

a raiz

consumida pela vastidão do deserto

em flor

domingo, novembro 27, 2011


I
em minhas veias
habito-me lamentos
abandono
e imensidão
            
[breviário]




II
sou da morte dos meus
ato-reflexo
a pairar
menor que o silêncio  

>>túmulo aberto>>exatidão

quarta-feira, outubro 19, 2011



monotipia de milton josé de almeida


ao amigo e professor Milton José de Almeida
(in memorian)

eis que chega a morte, amigo
e eu nem pude dizer adeus
ou saber quais as quimeras
que levaste contigo
ventre de mundos outros que eras

eis que nos afaga a morte, amigo
sabedora dos nossos medos e agonias
tão indócil, arredia e desapegada
porque guardadora de memórias
porque permanência e não despedida

eis que nos revela a morte, amigo
frágeis
solitários
filhos desnudos
de deus algum


a morte não nos pertence, amigo

sexta-feira, outubro 07, 2011

I
meus demônios tem medo
vasculham-me as madrugadas
sempre aos pares, cuidadosamente

[indefesos]
roubam meu sono
[incompreendidos]
agarram-se ao fio de esperança que resiste em mim

II
esses demônios, medrosos
sobrevivem ao tempo que me curva as costas
e porque eternos
não desabrigam meu peito

quinta-feira, setembro 08, 2011

antes carne
fiz-me verbo
sentença de deus algum
[grito oco nas ranhuras do medo]
.

quinta-feira, agosto 25, 2011




o medo confidencia
aquilo que me espreita
[traços de deus]

quinta-feira, agosto 11, 2011

o silêncio respinga
palavras desertas
[ecos do homem que sou]

sexta-feira, julho 22, 2011

povoa teus pássaros em desabrigo
a eles, o desígnio das folhas
que diante do outono
uma após a outra
amortalham-se chão

quinta-feira, junho 16, 2011



a memória
vínculo com o sagrado
rompe-se
sob o revoar de pássaros noturnos
combalidos
rumando ao inverno




quinta-feira, maio 05, 2011


vermelho,o sol derrama-se
pai, mãe, onde repousá-los-ei?

cheguei até aqui
mas não escuto a primavera

[arde em minhas perdas a imensidão da morte]

segunda-feira, abril 25, 2011


tenho rios enfurecidos
sob pálpebras que escapam aos sonhos

tenho pássaros assentados
a desmemórias famintas de sol

sobrevivo,
costurado ao tempo
que me rumina os ossos

sexta-feira, abril 08, 2011


confuso,
guarda pequenas lembranças
peças frágeis
fotos
particularidades de um tempo
amontoado sobre a pele
das mãos do rosto dos cotovelos
a envelhecer
sob a premissa de que todo infortúnio será
recompensado

segunda-feira, março 21, 2011


trouxeram notícias? por acaso ouviram meu nome? estive aqui o tempo inteiro, rastejando lucidez implorando companhia maldizendo as horas que estancavam sob o peso de esperanças desditas presságios tortuosos e murmúrios [lembranças do homem que fui].respiro pausadamente. observo. reconto o tempo. redistribuo funções. impacientemente. as respostas às minhas preces são febris e sou eu sou eu e mais ninguém quem as vigia alimenta perpetua tão logo a distância entre perda melancolia e uma manhã azulada desaparece.

respeitosamente,

d.
.



segunda-feira, março 07, 2011

I
acaso reconheces em cada alvorecer
os lamentos
a sombra do homem que se afasta
o nascedouro de todos os medos
que te trouxeram aqui?


II
és sangue ou destino?
.
III
tuas mãos
repousam sobre meu leito de morte


IV
somos deus
e um amontoado de coisas mais
.

terça-feira, fevereiro 22, 2011


ao amigo esquilo

retorno ao lar
que nunca me soube
[dele carrego um silêncio preenchido pela angústia de terminar só]

as paredes o teto os móveis as louças continuam lá
só não a morte
[que partiu com os sorrisos as brincadeiras o cheiro do bolo de fubá]

esta casa já não me habita...

[sou um homem que perdeu a infância]

terça-feira, fevereiro 01, 2011


.
invejo deus

porque a ele não pertence a morte

matéria imprecisa que é

só a nós,

que na fundura do momento

nos sabemos

vagantes

desatinos

maldizeres

solidão

segunda-feira, janeiro 24, 2011


todo anjo é voraz
carrega a amargura de ser incompreendido
porque nem deus nem homem nem infância
todo anjo é insano...

forjadores de sonhos
reconhecem na fé um corte profundo
que não dói que não sangra só esperança
todo anjo é insone...

sexta-feira, janeiro 14, 2011

há restos de abandono
nas palavras
nas amarguras
nas míseras ilusões
dos que passaram por aqui...
.
[deixaram-me só]

sábado, janeiro 01, 2011


são fantasmas, bem sabes

mas quem te escutará

quando a madrugada avançar

sobre os vestígios do homem que a ti custou

crer?

[hoje nada mais parece fazer sentido

– é a aurora de um novo dia]