quarta-feira, setembro 02, 2009



mamãe morreu aos trinta e três anos
e eu ainda vivia-me infância
quando vi meus brinquedos entristecerem
porque eu não conseguiria mais brincá-los

mamãe morreu num abril distante
fazia uma tarde cinzenta
que logo virou chuva forte
o que alguém disse serem anjos chorando

mamãe morreu em silêncio
deitada em sua cama
no quarto que tanto me faz falta
pois não mais tenho um lugar chamado casa

mamãe morreu uma morte arrastada
que sobre ela voraz debruçou-se
sem deixá-la futuro algum
embora dissessem que deus por ela esperava

mamãe morreu faz tanto tempo
que sua voz de mim parece fugir
também seus olhos castanhos e tenros
nos quais menino feliz eu me via

mamãe morreu e eu não disse adeus
mamãe morreu e eu não soube chorar
mamãe morreu e eu enterrei tantos sonhos
e ainda hoje pergunto onde deus poderia estar

5 comentários:

clarice ge disse...

as perdas deixam feridas que não cicatrizam, viram vazios para sempre. nada a fazer senão seguir em frente, acariciando lembranças. deus... deve estar em boa companhia...
a orfandade é triste em qualquer tempo. tua orfandade tão menino me causa muita tristeza.
carinhos Douglas

clarice ge disse...

existe possibilidade de "ler" este livro?

marcos pardim disse...

troque o primeiro verso para "mamãe morreu aos trinta e um anos" e teria eu podido escrever este poema... abraço.

Dauri Batisti disse...

Estou por aqui.

Vou lendo seus poemas.

Gostei deles. Gostei do teu jeito de dizer as coisas. As coisas querem ser ditas, mas traduzí-las é um desafio. Gostei do modo com que falas.

Vale destacar: quantos há em mim, meus mortos, outra noite.

Vou por aí.

Abraço.

Luciana disse...

poema belo. obrigada.