
pra ti,
antes que a vida
nos interrompa...
(porque eu te odeio, mesmo não te amar sendo-me impossível;
porque a certeza tua de que a mim sobreviverás mastiga meus ossos
e cospe a fragilidade de estar vivo direto no meu rosto;
porque continuarás sorrindo quando eu não mais estiver aqui;
porque até o último instante que me restar eu serei teu,
mesmo que você já nem mais saiba da cor dos meus olhos
ou da fúria de deus, que um dia eu roubei pra que nós pudéssemos sonhar)
nesta insônia que não termina, fujo do amor que fizera amputado
(estou num quarto vazio, debruçado sobre as lembranças que pude alcançar)
a ausência tua cutuca a insegurança de mim faminta
(você disse que jamais seria mulher de um homem só – lasciva)
sóbrio e incansável, examino-me nos traços teus que nos meus olhos ficaram
(encontro um esboço de gente ridiculamente medroso, a choramingar – lasso)
ecoa pelas entranhas a tua voz sussurrando que seríamos intensos e breves
(soca-me o rosto o que é derradeiro: você nunca mentiu; eu é que não quis acreditar)

















