domingo, julho 09, 2006


dezenove de abril
nossa casa ficou vazia
as paredes calaram nossas vozes
o jambeiro perdeu todas as cores
os brinquedos espalhados
pelo quarto do meio
não mais foram brincados
envelheceram por dentro
como se fossem ossos nus
& as joaninhas
& os percevejos
& os calangos do jardim
entristeceram ao pôr do sol
levando a primavera embora
porque a morte lá esteve
para roubar a nossa mãe

6 comentários:

[jb] disse...

ah, a morte! Essa presença perpértua sempre a nos velar...


[jb]

Lidiane disse...

Assustadora e inevitável morte...

朝川栄一 [Asakawa Eiichi] disse...

morte como coisa natural, como beleza da natureza inteira que é nossa mãe. bonito moço! ela sorri agora.

marcia cardeal disse...

Vim aqui te contemplar quase em silêncio e agradecer a beleza do que vc escreveu lá pra mim. Foi como um abraço quente. Retribuo.

tb disse...

a minha data é 29 de Abril...
Beijo-te solidariamente na tristeza da lembrança da perda.

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Eu já conhecia o poema. Muito bom!