sábado, julho 15, 2006


o sol nascente trazia cores dentro de caixas de papelão
e ninguém te escutava;
sobre as páginas em branco eram sonhados lugares que as mãos
esqueceram antes de ti;
foi preciso destrancar a porta e trazer todos de volta às paredes deste
quarto limpo demais;
TODOS
(os teus bichos feitos de sombras
as tuas brincadeiras de menino
a chuva
& os girassóis
tudo esmiuçado
estudado
analisado
explicado
rotulado
olhado por dentro
– mas eles não saberão
que o lado mais esquisito
é o lado de lá
onde a dor
não te alcança
e as madrugadas são
pirilampos
com asas relampejadas)

6 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Grita o não-parto, a dor do ser e os sentires plenos.

CeciLia disse...

A-con-te-ce, meu caro
que o lado de lá
não merece
pirilampos
assombros
girassóis.

Menino de dentro
da caixa
teus sóis
de papelão

teus ais.

Ah,...

Abraços, poeta

Claudio Eugenio Luz disse...

Retornei de uma pequena viagem e como num grito tu agita essa pobre alma.

hábraços,poeta

Fernando Rozano disse...

Como sempre, Douglas, tua intensidade é envolvente. Impossível não ficar impassível dentro da tua escrita. Sentia falta de estar aqui. Meu abraço fraterno.

tb disse...

já li e reli. fico muda de tanto sentir...

朝川栄一 [Asakawa Eiichi] disse...

memórias como a um "Poema Sujo" como o de Gullar... não é?