sexta-feira, outubro 06, 2006



pra ti,
antes que a vida
nos interrompa...


(porque eu te odeio, mesmo não te amar sendo-me impossível;
porque a certeza tua de que a mim sobreviverás mastiga meus ossos
e cospe a fragilidade de estar vivo direto no meu rosto;
porque continuarás sorrindo quando eu não mais estiver aqui;
porque até o último instante que me restar eu serei teu,
mesmo que você já nem mais saiba da cor dos meus olhos
ou da fúria de deus, que um dia eu roubei pra que nós pudéssemos sonhar
)





nesta insônia que não termina, fujo do amor que fizera amputado
(estou num quarto vazio, debruçado sobre as lembranças que pude alcançar)

a ausência tua cutuca a insegurança de mim faminta
(você disse que jamais seria mulher de um homem só – lasciva)

sóbrio e incansável, examino-me nos traços teus que nos meus olhos ficaram
(encontro um esboço de gente ridiculamente medroso, a choramingar – lasso)

ecoa pelas entranhas a tua voz sussurrando que seríamos intensos e breves
(soca-me o rosto o que é derradeiro: você nunca mentiu; eu é que não quis acreditar)

9 comentários:

Sol disse...

Teus lábios poderiam se queimar. Presunção de minha parte? Talvez. :)

Fernando Rozano disse...

Douglas, estar aqui é estar em comunhão com a palavra escrita, o imaginário, a carne, a alma e sobretudo, com a vida. Teus textos são essenciais sempre. Meu abraço.

Ivã Coelho disse...

A verdade às vezes pode matar. Às vezes eu prefiro morrer.

Abçs imagéticos

marcos pardim disse...

passo por aqui, te leio, saio quase sempre em silêncio, pensando em como foi bom, eu que não sou lá muito adepto das modernagens, que sou um pouco como o poema de ana cristina cesar, um personagem do século 19, ter vindo parar na blogosfera. tua escrita, meu caro, tem a força de se fazer ser lida. e eu a leio.
1 abraço

Bruna Rasmussen disse...

a vida separa mais que a morte. é fato.

:)
suas palavras me atingem de uma forma que me é impossível deixar de lê-las e relê-las.

beijos

Tempestade disse...

quanto tempo vais levar para morder a língua e queimar os lábios?
(sinto uma estranha comunhão. 180 graus de diferenças e nos espelhamos: áries e libra, fogo e ar, alimento e combustão. - emocionas...dói...)

Um cigarro largado na mesa, restos de cerveja amanhecida, o som do piano no andar de cima, roupas amontoadas no chão, sandálias na cabeceira da cama, óculos e relógio perdidos na confusão: o caos te visitou. Não zanga se ela partiu: é solidão, mulher que renasce em cada orgasmo, esboço livre e em construção.

tb disse...

hoje li de dentes cerrados e não sei porquê...

CeciLia disse...

eu, que não escrevi isso, eu que sequer te conheço, eu que sei dos desmandos mesmos estes que geram palavras que não transpiram somente sangram, não delatam, não apontam, não fazem nada, apenas amam, por nada mais saberem fazer. Tocou-me verdadeiramente, o teu poema.

Obrigada por tê-lo deixado nascer-se.

casoual disse...

Douglas, tem muita electricidade aí. boa. gosto de ler.
abraço