quarta-feira, outubro 19, 2005


Sobrevivem poucas cores no meu estado febril. Sou um osso virado do avesso [mudo e pesado, eu desafio a gravidade] Outubro de dois mil e cinco e continuo tecendo os fios deste enredo oco. A emergência da rota de fuga somatiza os fracassos [cadáveres conservados no lado de dentro da alma] Sinapses multiplicadas a esmo geram aceleração atabalhoada e pequenas passagens por onde me escapam as sentenças – frases desconexas impõem paisagens sedimentadas aos nossos corpos que se acomodam nas molduras luxuosas desta exposição milimetricamente planejada. Na sala de estar deste império asséptico, há vermes escondidos onde havia enchimento [o coração das manhãs de domingo costuma estar ocupado demais com a felicidade] Eu planto fagulhas nos dias de chuva. Eu destelho esperança nas madrugadas de calor. Pelas tardes que adormecem o frio dos segredos, minha lucidez espalha outonos ruidosos. Tenho meus planos. Tenho minhas coordenadas. Sei a posição exata dos meus pés neste exato momento. Menina que amanhece girassóis, o amor não mudou com as estações – eu te abraçaria uma cantiga de ninar, mas já não sei de mim o lado oposto da dor.

6 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

E você ainda permanecer nos delírios e embalos do cotidiano, em meio a tudo isso...

Ninguém como você pra retratar os sentires; sua escrita é toda de sensações...quase tactível!

beijo

Mariana disse...

Lindo, sem bajulações, da forma mais linda que poderia ser, fiquei emocionada. Abraços.

Betty Branco Martins disse...

Olá Douglas

Vim retribuir a tua visita.

Estou a conhecer o teu “cantinho” Parabéns por ele!

Falas do quotidiano de um a forma muito real, é mesmo essa, a situação que se vive no dia à dia, mesmo que por vezes tenha-se que recorrer a uma “moldura” dourada. O caótico está à volta.

Fica a promessa que voltarei :)

Beijinhos

Dona Estultícia disse...

Vira do avesso a dor...Muito bom! Abs

Fernando Rozano disse...

"o amor não mudou com as estações", nós é que mudamos as estações e seus segredos foram virados pelo avesso. abs.

leila disse...

Algumas equinas em comum e estou aqui, no silêncio da minha madrugada, e não poderia haver caminho melhor a ser descoberto nese outubro.
Meu beijo.