sexta-feira, outubro 21, 2005


Os que amamos partem quando menos esperamos, sem deixar um aceno, um último adeus, uma imagem sólida pra nos estancar a solitude do peito – somos pegos de surpresa e ficamos entregues ao que não entendemos. Os que amamos recortam nossa vida em doze minúsculos pedaços descoloridos, um pra cada mês dos anos que restam – ciclo infestado por ervas-daninhas e entardeceres anestesiados. Nossas preces não são ouvidas e rumores habitam nossos porões. A cada passo que damos nos aproximamos mais daquilo que tememos [a verdadeira agonia está na permanência da vida tatuada na morte, em tudo que fica desocupado demais pra saber-se perene – naquele único sopro de nós mesmos resguardando a lucidez]

8 comentários:

Fernando Palma disse...

"Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos."

Shakespeare

Um abraço.
Fernando.

Betty Branco Martins disse...

Nos nossos
dias
entram dúvidas e pesadelos
terrível solidão
de certas horas

Um amigo
um amor
coração abandonado
na dor
flutuando
como um peixe
sem sopro de vida
calor
dentro do frio
tentação de levantar andaimes
entrar em “obras”
instalar
em cada dia
um “problema”
e dourar
o “problema”
de cada dia

Ter a magia de alterar as coisas
e
sentir o sol
novamente sorrir...

Beijinhos

Priscila disse...

sabe q às vezes eu prefiro assim... não guardar o último adeus... assim eles não vão embora nunca.

leila disse...

Todo dia e aprendemos o sopro da falta, e desaprendemos em segundos. Através dos "Meus Rascunhos" do Palma.
Bom estar aqui. Meu beijo.

Carlos Besen disse...

Os que amamos recortam nossa vida em doze músculos

isa xana disse...

por veses penso como a priscila, se nao me despedir é como se nao houvesse partida, pelo menos reconforta pensar assim

beijo

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Sim
rumores habitam nossos porões.

Muito bom!


Abraços do CC.

Fernando Rozano disse...

Quando partem, de alguma forma partimos também. Quando partimos antes, nos acompanham. É um ciclo triste e real. abs.