segunda-feira, outubro 17, 2005



Setembro desperta uma lenta espera que tritura o amor antes mesmo da felicidade alcançar o esôfago. Por dentro das vértebras já de todo fragilizadas pelo tempo circulam verdades fiéis à terra e encharcadas pelo azul amordaçado do mar. Setembro nos tranca em nós mesmos e desenha em nossas mãos uma única linha sustentada pelo silêncio – portal dum entardecer nublado a nos aproximar daquilo que o tempo leva das nossas vidas. A primavera corrompida pela crença. A primavera rascunhada na pele. A primavera caindo em desgraça. A primavera sepultando sonhos – com seus dedos de relva e nos olhando do alto, quebra ao meio nossas memórias como se fossem palitos de fósforo, roubando a luz destas entristecidas tardes poentes.

6 comentários:

Alê disse...

Setembro tb me fez gato e sapato das minhas vontades.
Nenhuma foi levada em consideração...
Bjo!

Dona Estultícia disse...

Setembro já era. E ainda é primavera...Abs.

Fernando Rozano disse...

O outono e o inverno são fantásticos, eles germinam, e vão colorir a primavera, que é passageira. abs.

Clarice disse...

A impressão que me passas é que teus mortos estão vivos enquanto tu te entregas a morte. Perdão pela sinceridade. Tens o dom da expressão. Mas és triste e soturno. Desperta também para a alegria e a luz. Carinhos

Celso disse...

o tempo, sempre carrasco e frugal.

belas palavras aqui...

saudações do cárcere

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Oi Douglas!

Sempre encontro boa leitura por aqui.

CC.