quarta-feira, outubro 19, 2011



monotipia de milton josé de almeida


ao amigo e professor Milton José de Almeida
(in memorian)

eis que chega a morte, amigo
e eu nem pude dizer adeus
ou saber quais as quimeras
que levaste contigo
ventre de mundos outros que eras

eis que nos afaga a morte, amigo
sabedora dos nossos medos e agonias
tão indócil, arredia e desapegada
porque guardadora de memórias
porque permanência e não despedida

eis que nos revela a morte, amigo
frágeis
solitários
filhos desnudos
de deus algum


a morte não nos pertence, amigo

4 comentários:

m.t. disse...

...e de pés descalços
segue soprando outras brisas
e deixando saudade
onde outrora havia explosões

Lisa Alves disse...

A morte nos revela o cuidado, a morte é uma severa professora de filosofia. Como disse Virginia Wolf "Alguns precisam morrer para que outros aprendam a viver"

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Belo poema.

Abraço.

CeciLia disse...

Como diz Zeca Baleiro, os mortos sabem mais do que nós, por saberem da vida e da morte.

Beijo,