segunda-feira, janeiro 23, 2006


é segunda-feira e custa a amanhecer em belém – meus fantasmas prolongam o ciclo das estrelas [arrastam âncoras feitas de amargas lembranças e fazem da lua um semi-círculo decadente e tristonho]

dói-me a alma num lugar que não consigo alcançar – de nada adiantam cortes cirúrgicos ou as orações ensinadas pela minha mãe [por aqui, vagam falsas impressões besuntadas de culpa e redenção]
espantalho, surpreendo-me com a crueza indisfarçável do teu abandono e colo nas retinas os momentos nos quais fui feliz [metade do que descubro sangra poesia, enquanto emudece em sofreguidão aquilo que em mim não sabe dos anjos, o olhar]

12 comentários:

Topazio disse...

Espantalho...figura feliz no prado olhando as flores e servindo de poiso aos animais alados....eles sabem o olhar dos anjos e ajudam-nos a secar as dores da alma, porque espraiam o olhar mais além...espantam a solidão!
Um abraço alado!
teresa

Valéria disse...

"crueza do teu abandono"... algum abandono deixa intacto o "objeto" abandonado? feridas de abandono têm cura? como se transforma em espantalho?
um beijo

CeciLia disse...

Os abandonos descolam as retinas da luz. Espantalhos em preto-e-branco, como num filme antigo, o beijo roto, o sangue duro.

Triste o teu poema, me contou meus abandonos.

Beijo,

Rubens da Cunha disse...

aqui neste sul de mundo eu sou um teu igual. custa muito amanhecer apesar do sol alto antes das 6h.
rubens

Celso disse...

é sempre, Douglas, a dilacera a pele e tudo o mais.

saudações

Joana Careca disse...

Oi Douglas,
lindo texto
beijos
Joana

Ana disse...

Colar na retina os momentos em que fomos felizes. Colá-los dentro do peito com sofreguidão.Apagar o abandono. Como?

marcia cardeal disse...

Ah...mas você traz dos anjos o olhar. Poesia e dor. Isso me leva, me leva. Beijo.

Dona Estultícia disse...

Abandono. Dono dos olhares perdidos. Um beijo.

Lívia Condurú disse...

Apresento-lhe a vida caro Douglas.

Muito obrigada por sua visita a minha casa virtual.

Sinta-se sempre a vontade nela.

Foto digital?

Abarços.

Eliane Alcântara. disse...

Douglas, não consegui deixar comentário em seu outro endereço... Sabe o motivo?! Mas.. Gostei demais de ler : ) Fantástico. Beijo!

leila disse...

uma dor conhecida e difícil deixa transparecer aqui, é belo o texto e traz o transparente incômodo de toda segunda. meu beijo.