quarta-feira, março 12, 2008


pro rubens da cunha
I
permaneciam os corpos
escorados sobre ângulos
mudos

II
da alma não mais sabíamos
curar-lhes os pesadelos
malsãos

III
mortos estão
velemo-los libertos dos anjos
medrosos

IV
em memória guardá-los
volver ao medo uma prece
malsim

3 comentários:

Fernando Rozano disse...

"da alma não mais sabíamos", "em memória guardá-los"...estamos a um passo do esquecimento, da alma e da memória, até onde o medo é capaz de suportar o vazio dos corpos mudos. profundo, Douglas, profundo e para muitas leituras. abraços.

Anônimo disse...

é mais ou menos...

Luciana Marinho disse...

[ quando o homem enfraquece as suas asas, surgem os anjos que recuam, cheios de medo. ]

foi a primeira junção de palavras que me veio agora à mente lendo (depois de tantas vezes) o teu poema.

feliz domingo de Páscoa!