sexta-feira, junho 16, 2006

Penso que meus blogs andam confundindo suas identidades[o preces ribeirinhas encorpa o memórias baldias, que por sua vez, é enchimento qual o eu,espantalho, que resiste ao peso acinzentado do amores fúnebres] Aqui, no vomitando imagens, marco o encontro de todos, o que pode levar ao abandono de tudo, ou ao silêncio que me alimenta os músculos. Não sei muito bem o que dizer. Tenho um turbilhão de sentimentos esmurando meus olhos:
[AS PALAVRAS ULTRAPASSAM O LIMITE DA PELE, A FOME VEM E ATINGE MEUS OSSOS; A DESCRENÇA PARASITA O MEU DESATINO]
Nesses instantes que me fazem distante da primavera, eu mergulho em mim mesmo e descubro que raros sentimentos importam. Pessoas também. Raras pessoas a mim importam. Destas, algumas já não podem mais escutar minhas preces e cheirar meu sorriso de chuva.
Sim, eu sou um homem solitário. Acho que você sempre soube. Não?
Sim, eu tenho medo do isolamento - as paredes do meu quarto não escondem segredos - simplesmente, os ignoram. E assim o fazem com sonhos e girassóis. E você, onde está você que não vem amanhecê-los?Onde você está? Você pode me escutar? Você pode sentir o que eu sinto? Você desceria ao inferno comigo?[a candura do céu cabe sob medida àqueles que sonham sem dor]
Eu sou um homem feito de palha! Eu preciso ser um homem feito de palha!
Tenho as madrugadas comigo mas não sei escrevê-las [eu esboço memórias e destinos para acalentar a miséria do instante] MEUS INSTANTES SÃO MISERÁVEIS longe de ti.
Invadem-me a privacidade e jogam falácias na minha cara. Pai, perdão?
Invadem-me a alma e enraizam sombras nos meus dias de sol. Pai, perdão!
Invadem-me a sanidade e dizem aos ventos que eu já não oro mais. Mãe, escuta?
Invadem-me o amor e dizem que eu sou o mal que te assola. Mãe, escuta!
Meus precipícios chegam ao fim e eu não tenho lugar algum para alcançar.
Meus sonhos, os guardei de volta. Agora, longe de mim, longe de ti, longe das manhãs bretonianas, enterrados num lugar que jamais outro alguém irá alcançar[meu império ruidoso; minha rota de fuga; meu destino escrito em giz]
Hoje, sei os que me importam. Os que amo. Aos que aqui não mais estão, são minhas as memórias a avivá-los. Aos que ainda posso tocar, meu calor entrego. E a você, o que coube?
O melhor que há em mim. O pior que me escapa. A imprecisão das minhas virtudes e a absoluta convicção dos meus erros, todos.
VOCÊ QUE ME FAZ CRER QUE A VIDA VALE A PENA. Você me faz crer nessa coisa esquisita que chamamos amor. E é amor isso tudo. Escutaram? Amor!
Não, eles não escutam. Não, eles não permitem. Não, eles só julgam e rotulam e explicam e receitam[há fórmulas de felicidade, mas pra cada fórmula feliz há um prazo de validade]
Ah, como poderiam saber de nós, se nos atam as palavras, se nos podam os gestos e nos mumificam os horizontes?
Hoje, ruminando outra madrugada insone, eu sei que o mundo inteiro é pouco pra me calar. Mas é aterrador saber que sem ti não há o que falar...

5 comentários:

Dona Estultícia disse...

Mudo-texto. E dói de amor.
Bjos.

Claudio Eugenio Luz disse...

Como um barulho que ensurdece e, ao mesmo tempo, amolece os sentidos.

hábraços, poeta das estrelas

pedro pan disse...

, "turbilhão de sentimentos esmurando meus olhos"...
, não há como não parar e ler/ouvir/sentir este texto...

|abraços meus|

CeciLia disse...

Diante das tuas palavras, eu, aqui, (fico) ouvindo o gotejo das pétalas de margaridas. Não há como calar, poeta. Essa possibilidade não nos é dada. jamais.

Beijo na alma. Bom te ler sempre.

tb disse...

...então acorda as madrugadas, grita bem alto, cada vez mais alto, e os girassóis serão eternos...
(gostei da foto!)
Abraços enquanto teus girassóis não amanhecem