quinta-feira, março 09, 2006


Era pirilampo
não era visagem
que do céu recortava
pedaços miúdos
de alegria

[toda vez que a dor chegava
toda vez que a vida cansava
pirilampo era sonho
um sonho bom que crescia]

*

Era Mãe-d’água
chamando tempestade
que dos bichos da mata
encharcava a alma
de magia

[com os encantos da noite
no coração do menino
cantou –se cantiga
sonhou-se poesia]

*

Era pedra de rio
secando o pranto
do homem que chegava
diante do menino
que pra sempre partia

[adormeciam estrelas
na lonjura do peito
sumiam estrelas
na fundura do dia]

4 comentários:

Fernando Rozano disse...

Douglas, como sempre, poema envolvente, imagens fortes e definitivas. Lugar que também considero minha casa. Abraços.

Nina Delfim disse...

Você emitiu luz própria e se tornou visível em minha escuridão.
Um beijo,
Nina.

Claudio Eugenio Luz disse...

Dentro de um poema, um mundo inteiro se desenrola.

hábraços

claudio

Dona Estultícia disse...

[...] e era terceira margem.
Bjos.