domingo, setembro 11, 2005

A solidão fica escondida nas conchinhas que vez por outra encontramos numa praia qualquer [remoendo por dentro, junto ao som do mar e ao cheiro do vento, nunca desistindo de nós] Fica nas manhãs que encontram meus olhos a procurar os teus – um desencontro composto de peças já encaixadas, rigidamente acomodadas junto ao sol. A solidão escapa-nos quando o silêncio cresce comprimindo as vértebras, deixando-nos abandonados feito zelador d’um carrossel que não gira, faroleiro numa madrugada sem tempestade, um velho espelho partido com imagem alguma pra respirar.

3 comentários:

marcia cardeal disse...

Palavras se esticam quando silêncio ronda. Frestas se abrem quando grades prendem. Abismos escapam pelas sombras do chão quando o sol vem.

Fernando Palma disse...

Sempre intenso...

Fernando Rozano disse...

A intensidade de tuas imagens troume-me à memória parte de umtempo em que vivi e o mar era a outra parte. Hoje, cercado de prédios, as únicas margens que vivo são as longas avenidas e seus leitos conformados com o destino. abs.