quarta-feira, setembro 14, 2005


continuo escutando a exatidão das coisas que não foram. exatidão cianótica, feita de golpes secos sobre meus ossos[traumatismos da minh’alma] sei que não tive como lhe dizer adeus e nem mesmo lembro do último instante da sua presença – quando cheguei em casa, ainda criança, o quarto tinha o peso do silêncio a velar memórias. a vida se dá em instantes. a morte é-nos servida em pedaços. a vida encontra-se na morte. a morte digere a vida. a vida remonta sobras. a morte desfaz caminhos. a vida suspira. a morte, jamais.

9 comentários:

Fernando Palma disse...

"a vida se da em instantes"
Você acredita se eu te disser que tenho pensado nisso os ultimos dias? Só não tinha encontrado a expressão certa. É bom se ler em outros. Abraços...

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Madrugada gelada em Caxias do Sul, RS. Venho lê-lo. É bom.

Beijos do CC.

Lucinha Horta disse...

Seu texto me fez pensar o quanto nada é pra sempre... certeza que já tenho encravada na minha alma, mas hoje, especialmente hoje, vivo latente nas minha veias.

Um berjo da amiga que está longe.

Celso disse...

Perfeito contraponto vida e morte neste texto. Tirou palavras da minha boca, poeta. Belíssima poesia em prosa.

Saudações

Fernando Rozano disse...

" a morte é-nos servida em pedaços ". Lembrei uma letra do F. Brant; "morri a cada dia dos dias que vivi", em Conversando no bar. Texto para pensar e viver com toda a intensidade dos nervos e da carne até os os ossos quebrarem, cansados. abraço.

Valéria disse...

a gente quer acreditar em tanta coisa! sobre a vida...sobre a morte...mas a verdade é que a morte nos leva quem foi. e isso dói! um abraço

Adriana disse...

Não sei se vc gosta , mas seu estilo me lembra Margherite Duras, que eu adoro - um tanto cinematográfico mas de uma maneira bem pessoal.
Beijos. Até mais.

Adriana disse...

Perdão. Digitei errado. O endereço do meu blog é http://fabricadepoemas.zip.net

gabi disse...

..bacana..

beijo