domingo, março 27, 2005

Ouço, afastado, o sol crescendo nas paredes, ocupando cada fresta, cada espaço antes empalidecido – as regras não permitem fuga [sou um homem qualquer vestido de falsas lembranças, um homem cercado de dor e desesperança] Queria puxar as linhas do meu destino como se fios fossem – livrar minhas mãos de horizontes tão enfadonhos [luares sem pirilampos, calçadas sem crianças a brincar] Mastigo meus delírios num repente de agonia e êxtase – eis o fazedor de imagens desperto quando parecia definhar [meus olhos castanhos,minha boca avermelhada, meus dedos sujos de fé]

Um comentário:

morphine disse...

A diferença entre escritores e nós outros, é que vocês sabem (d)escrever
o que apenas sabemos sentir.
E tu és um bom poeta,D.
daqueles que parecem
bisbilhotar nossos sentires.