quinta-feira, abril 17, 2008


PRELÚDIO
neste tempo miúdo que me cabe
silencio você.
desfaço as páginas do sol-abismo
sentencio você.
nesta estação deserta que me inverna
re-leio você.
imunizo as artérias do coração-sepulcro
renego você.

*

INCÔMODO
eu não caibo em sentimentos
eu não acredito na felicidade
eu caminho lugares sem cor
eu emudeço os pingos da chuva
eu guardo fios de memória
eu acumulo esperança nos ossos

*

PESAR
tenho comigo um sol poente
- a mim faltam-me estrelas cadentes -
afundei meus barquinhos de papel
- fiz do lamento uma pálpebra-lodo -
meu destino, escrevi-o invertebrado
- desde o início fui apenas um falso sonho-bom -

*

ADEUS
sou um tumor que chegou ao fim
um nó atando teus fantasmas
uma fratura expondo teus tropeços
um erro negando teu deus
um lamento desfocando teu olhar

eu, espantalho.

5 comentários:

Fernando Rozano disse...

"...meu destino, escrevi-o invertebrado..." a vida se constituindo de destinos e neles se descontituindo em seus tecidos já cerzidos pelo tempo. abraços.

andorinha disse...

Prelúdio. Incômodo. Pesar. Adeus.
Tu, poeta.

Cecília Borges disse...

Que bonito, Douglas.
E os falsos sonhos-bons fecham com força os olhos. Talvez dessa maneira por toda a vida.
Um bj.

Maria disse...

Fico um tempinho sem vir...e perco mesmo toda essa enxurrada, esse desaguar, essa doideira maravilha que são as tuas palavras vomitadas !!! Adoro !!!
bjbjbj

Emanuel Azevedo disse...

Gostei quer dos fotos quer dos textos.
Os meus parabéns e um abraço.