I
acaso reconheces em cada alvorecer
os lamentos
a sombra do homem que se afasta
o nascedouro de todos os medos
que te trouxeram aqui?
II
és sangue ou destino?
.
III
tuas mãos
repousam sobre meu leito de morte
IV
somos deus
e um amontoado de coisas mais
.
segunda-feira, março 07, 2011
terça-feira, fevereiro 22, 2011
ao amigo esquilo
retorno ao lar
que nunca me soube
[dele carrego um silêncio preenchido pela angústia de terminar só]
as paredes o teto os móveis as louças continuam lá
só não a morte
[que partiu com os sorrisos as brincadeiras o cheiro do bolo de fubá]
esta casa já não me habita...
[sou um homem que perdeu a infância]
terça-feira, fevereiro 01, 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011
sexta-feira, janeiro 14, 2011
sábado, janeiro 01, 2011
sábado, dezembro 18, 2010
dear captain

há um homem de pé sobre as areias do deserto
é alto, tem olhos que me lembram o céu
está sozinho e segura um quadro que ele mesmo pintou
mas para o qual não consegue dar um nome
[por isso a sombra às suas costas busca o horizonte]
logo mais, ele não estará ali
.
captain, dear captain
não soube outro modo de te dizer adeus.
.
captain beefheart,
1941-2010
terça-feira, novembro 30, 2010
domingo, novembro 21, 2010
terça-feira, outubro 12, 2010
segunda-feira, outubro 04, 2010
Aqueles para quem certas palavras têm um sentido, e certas maneiras de ser, aqueles que mantêm tão bem os modos afetados, aqueles para quem os sentimentos têm classe e que discutem sobre um grau qualquer de suas hilariantes classificações, aqueles que crêem ainda em "termos", aqueles que remoem ideologias que ganham espaço na época, aqueles cujas mulheres falam tão bem e também estas mulheres que falam tão bem e que falam das correntes da época, aqueles que crêem ainda numa orientação do espírito, aqueles que seguem caminhos, que agitam nomes, que fazem bradar as páginas dos livros
- são os piores porcos.
(antonin artaud)
.
amontoam-se, não?
e sorriem todos, mãos postas sobre as mãos
[tem os olhos voltados a mim]
e julgam e repartem meus sonhos entre si
[há nódoas nestes espíritos]
.
- mas você os tem nas entranhas, esqueceu?
...
.
de onde nascem e por que são paridos assim, feito massa uniforme?
[me pertencem, como pertencem à memória os escombros]
.
- cala-te então
quinta-feira, setembro 23, 2010
cantiga aos meus quarenta e três anos
incrédulo,
fiz dos sonhos
um lugar rarefeito.
.
[amanheceríamos de novo e a infância não teria partido
nem a morte carregado nossa mãe]
.
por que essa procissão de descalços ajuíza meus infortúnios? são vocês os que percorrem meus desatinos? eu chegaria até aqui se estivesse sozinho?
.
a casa está vazia
nem vozes
nem sombras
nem preces
vem nos visitar
.
[o tempo data a beleza. cambaleamos rumo a lugar nenhum]
.
das minhas vértebras arrancaria felicidade
ou um momento de paz
que me livrasse daqui.
.
fiz dos sonhos
um lugar rarefeito.
.
[amanheceríamos de novo e a infância não teria partido
nem a morte carregado nossa mãe]
.
por que essa procissão de descalços ajuíza meus infortúnios? são vocês os que percorrem meus desatinos? eu chegaria até aqui se estivesse sozinho?
.
a casa está vazia
nem vozes
nem sombras
nem preces
vem nos visitar
.
[o tempo data a beleza. cambaleamos rumo a lugar nenhum]
.
das minhas vértebras arrancaria felicidade
ou um momento de paz
que me livrasse daqui.
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quarta-feira, setembro 08, 2010
há versos meus entranhados nessa cidade
mas eu não os tenho
devorado que sou pela métrica dos arranha-céus daqui
.
onde meus ossos viram esquinas
minha pele, asfalto ao meio-dia
e dos meus olhos resta o abrir e fechar automático das portas dos trens do metrô
.
mas é só mais um dia seguido de outro dia,
atravessando-nos indistintamente
nós, iguais uns aos outros
de tão burocráticos
indiferentes
e civilizados que somos
[eis nossa beleza]
.
venham...
sirvam-se de mim
restituindo-me o homem
outrora sonhos, mata, febre e nanquins.
.
mas eu não os tenho
devorado que sou pela métrica dos arranha-céus daqui
.
onde meus ossos viram esquinas
minha pele, asfalto ao meio-dia
e dos meus olhos resta o abrir e fechar automático das portas dos trens do metrô
.
mas é só mais um dia seguido de outro dia,
atravessando-nos indistintamente
nós, iguais uns aos outros
de tão burocráticos
indiferentes
e civilizados que somos
[eis nossa beleza]
.
venham...
sirvam-se de mim
restituindo-me o homem
outrora sonhos, mata, febre e nanquins.
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domingo, agosto 29, 2010
quinta-feira, agosto 12, 2010
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nascido daqui...http://www.palavrassobrepostas.blogspot.com/
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tudo desaba em mim
a rota que me trouxe ao silêncio,
lugar onde me despeço do medo.
incrédulo, não devolvo aos mortos
que me são caros
a dor de ter restado, sozinho.
eles ficam-me em desespero
à espera de um próximo dia
manchado de destino e adeus.
a rota que me trouxe ao silêncio,
lugar onde me despeço do medo.
incrédulo, não devolvo aos mortos
que me são caros
a dor de ter restado, sozinho.
eles ficam-me em desespero
à espera de um próximo dia
manchado de destino e adeus.
segunda-feira, agosto 02, 2010
releitura número dois
domingo, julho 18, 2010
releitura número um

.
.
pai,
.
esses anjos da morte
livrai-os de mim
.
esses anjos do medo
livrai-os de mim
.
esses anjos descrentes, esses anjos videntes, esses anjos que mentem
esses anjos que abandonam e esquecem
livrai-os de mim
.
pai,
.
livrai-os de mim, os anjos
livrai-os daqui, enquanto sonho
.
pois lá fora auroras já chegaram
e eu preciso descansar-me em paz
.
terça-feira, julho 06, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
não é o tempo breviário? testemunho de terem nascido os homens para a morte porque vida é tudo que foge à eternidade? por isso criei a ternura e fiz dos anjos mensageiros de minha imensidão. por isso exprimi a dor que me consome naquilo que vocês ousaram chamar de esperança. por isso, fiz de mim expiação. eu, a quem chamam de louco. eu, de quem esqueceram o rosto. abismo aos míseros e redenção aos condenados. eu, que das margens pari a nascente, digo-vos novamente: sou-me carne a quem fui solidão.
sábado, junho 12, 2010
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trancava-me na imagem de que um dia eu iria crescer e ficar idêntico aos demais essa gente adulta que não sabe nada do sofrer porque não enxerga o escuro crescendo por dentro das unhas até chegar aos ossos e não escuta o alvoroço larval que se aloja em meu cérebro quando mais um anjo da guarda desiste de mim só porque nas memórias que terei eu sou feito à imagem e semelhança dessa gente adulta repugnante em sua limpeza ah essa limpeza tão precisa e medonha parida do meu noviciado a se alimentar de tudo que é puro porque nós precisamos de qualquer coisa que tenha mácula e morra incessantemente para que enfim eu possa nascer outro e saiba menos deles todos e nada mais de mim, deus.
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para maura lopes cançado
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