sexta-feira, maio 08, 2009
sexta-feira, maio 01, 2009
fragmentos de um livro por vir
quinta-feira, abril 23, 2009
terça-feira, abril 14, 2009
[travessa do chaco número cento e setenta e dois
– ali moravam
a avó: conhecera vargas pessoalmente e disso orgulhava-se; mais tarde seria vitimada por um acidente vascular cerebral
o menino loiro: sonhava ser lennon ou barrett; adulto, mero advogado beberrão e insone
a criada: gorda, negra, sorridente e servil; terminará seus dias sozinha
o tio: ridiculamente histérico, afeminado e flácido
ali, as portas rangiam, o teto tinha goteiras, as paredes dos quartos e da sala há muito não eram pintadas
imune a todos, ana preta
a gata que escolhera aquela família como destino –
belém, 6 de janeiro de um ano qualquer.]
ana preta morreu
a gata angorá
que andava pelos corredores
daquele casebre e de todos sabia
trevas e demônios
agora
não os pode calar
sexta-feira, abril 10, 2009
era feita de carne e osso não era esse arremedo de mulher escondido sob tanta amargura desconfiança melancolia e desamor que pune a si ao enumerar forçosamente cada detalhe da madrugada onde tudo começou [aje desta maneira todos os dias exceto aos domingos quando finge estar em paz] porque não pode esquecer primeiro ter escutado o barulho de passos encurtando a distância entre os quartos seguido pelo ranger da porta que espantou pra sempre o seu anjo da guarda [por isso mais ninguém ouviu aquele sussurro ordenando que ficasse bem quietinha] e assim ficou a madrugada inteira sem saber que outras madrugadas ainda viriam deixando pra trás um silêncio sem nome [de lá pra cá perdeu a conta de quantos consigo deitaram fantasmas que foram] sabe apenas que nenhum será tão sujo mentiroso e assustador porque aquelas mãos a conheciam desde criancinha [e se antes aqueles abraços traziam proteção e segurança hoje são abismos de onde não saberia mais voltar]terça-feira, abril 07, 2009

quarta-feira, março 25, 2009
são paulo
sexta-feira, março 06, 2009
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
terça-feira, fevereiro 10, 2009
pela sua felicidade
você amanheceu-me
primavera e girassóis
arrancou a casca do medo
que voraz me sufocava
você acreditou no menino
de olhos castanhos
e mãos de chuva
que o adulto em mim
ano após ano
lentamente assassinava
mas agora partes
as ruas ficarão desertas
os sonhos ficarão vazios
as noites se farão eternas
e o amanhã talvez não diga
o caminho para te alcançar
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
terça-feira, janeiro 27, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009
o sono não é capaz de me vencer......................................repito
fixando os olhos ao que há lá fora
pra que sejam os teus passos
.............................................
........................e não os ruídos
..............................................
doutro amanhecer empalidecido
>>>>>>>>>>>>>>>>>
..................................a chegar
terça-feira, janeiro 13, 2009
acreditava que era possível
preencher o tempo
de uma pausa
[por isso os olhos gritavam]
desenhava ruídos
por dentro dos ossos
esqueleto feito de dor
[porque assim não sangrava]
repartia o medo
entre os mortos
encarnados em de si
[uma só vida não lhe bastava]
depurava virtudes
manipulando a razão
ao buscar o que nem sabia
[emprenhava-se enquanto vagava]
ontem pude vê-la pela última vez
tinham-lhe os olhos calado
a louca dos pés descalços
terça-feira, janeiro 06, 2009

celebro-te
não nestas noites povoadas por medos
que me impedem o sono
e só abandonam-me ao amanhecer
porque assim o querem
porque assim voltarão
celebro-te
não com estes olhos cansados
que me turvam os horizontes
e devoram-me naquilo que falta
porque assim os fiz
porque assim cri
celebro-te
na criança que sobreviveu ao homem
nos sonhos que brincam de chuva
nas aquarelas que cirandam memórias
nos girassóis que alvorecem poesia
no teu amor que eu sei logo mais virá
mãe.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
soube enterrá-los
ao cair da última noite
desse ano acinzentado
que hoje chega ao fim
meus demônios
rodearam-me os caminhos
com passos roubados da terra
e promessas sussurradas
ao nascer do sol
livre deles
desabriguei-me de medos
azulei as noites sem pálpebras
cindi as amarguras silentes
expurgando virtudes e crenças
meus demônios
já não os tenho comigo
e se hoje desconheço o destino
que aos meus destinos sobreviverá
amanhã serei eu o selo a me bastar
domingo, dezembro 28, 2008

.
a sala está cheia deles
posso contá-los noite afora
até cansar
e assim o faço
chamando-os pelo nome
acarinhando-os feito crias
porque míseros
iguais a mim
(é patético vê-los sorrir
é patético sabê-los aqui)
>
trazem nos olhos a cor do esquecimento
pois não sabem mais viver
sem que o medo os consuma
impunemente
e assim o fazem
celebrando a mediocridade
resguardando as aparências
porque bastam-se
agarrados a si
( é mordaça vê-los destino
é assombroso sabê-los meu fim)
quarta-feira, dezembro 17, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I
terça-feira, dezembro 09, 2008
"prelúdio ao homem de palha" tomo I
a inervação
onde toda claridade recua
sei
haverá homens
soterrados porque loucos
e em seus músculos e ossos
páginas em branco
.
.
do que dizem morte
o desassossego
onde toda fé desmorona
sei
haverá anjos
esquecidos porque lúcidos
e em suas asas e pálpebras
nuvens de chuva
quinta-feira, novembro 27, 2008
"prelúdio ao homem de palha" tomo I
segunda-feira, novembro 17, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I
sábado, novembro 01, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I

há um nada
a corroer-me a vigília
espaço turvo
entre os mortos
os que ficam
os que vagam
dentro de mim
eu gestei o sonho
do qual são vocês
apenas a pálpebra
há rezas caducas
só ouvidas quando noite
ponte atada
ao desassossego
dos que imolam
dos que arrefecem
alheios a mim
eu pari a sentença
da qual são vocês
apenas o verbo
segunda-feira, outubro 20, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
sei do abandono a quietude. meus sonhos vêm de lá. a demência que me anima é atroz. despedaça a esperança. emaranha o horizonte. e escapa. escorraçado fui dessa cidade de mil nomes ao cair da oitava noite, enquanto o outono lentamente jazia trancado em sombras. reunidos, aqueles homens eram coisa, amontoado de corpos volumosos e sujos a voltarem ódio contra mim. abjetos, por que esconderam o rosto quando passei? por que sussurraram às minhas costas? por que oraram em desespero àquele deus benevolente, risível farsa por eles inventada? por que roubaram meu excesso, ataram meu grito, serviram-se do meu saber, reviraram minhas memórias? achavam que assim mudariam o que lhes escrevi como destino? digo-vos então, homens acobertados pela fé, existirem verdades que chegam pouco antes de o arrebol, trazendo em si as vicissitudes da noite. espirais, alimentam a penúria dos injustos, esvaziando de estrelas o céu. opacas, desconhecem o orvalho e daninham o vindouro. quando mortas, descerram temores. pertencem a lugar nenhum. vide, a solidão peregrina alcançou o luar. eis que se completa a noite. sob o canto da rasga-mortalha, violado pelo jugo ferrenho do olhar de cada um de vós, em desatino sentencio: aqueles que hoje me tripudiaram, amanhã decerto temerão.
segunda-feira, outubro 06, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
sou meu próprio sumo. nasci de minhas entranhas, antes da luz e do verbo. na palma das mãos cicatrizei o fim de cada estação, ritual amortalhado ao qual chamei destino. desnudo o tempo, apenas a solidão do meu grito me habitava. nem sonhos ou preces, estrelas cadentes ou cantigas, nada, nada havia ao meu redor. por isso fui sementeira e da terra úmida fiz brotar os filhos que hoje renegam minha imagem. por eles criei-me enfermo de toda verdade. por eles aglutinei-me ao silêncio, larva que me infesta a razão. e quis meus olhos avessos à luz. e quis-me refúgio de loucos e pedintes. mas essa multidão nascida de mim, essa horda de homens cambaleantes e vis, zombou, descreu, enlameou o meu nome. porque fracos, porque vãos, porque erros, um após o outro, ruirão. e ao caírem de joelhos, terá chegado a minha hora. sou a única morada, o verdadeiro caminho. a redenção.
segunda-feira, setembro 22, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
ao rubens da cunhahá muito caminho por essas paragens. tateei o abandono. fiz da ventura sopro e desatino. nomeei os filhos que não tive. ensinei-os a sonhar os sonhos que não soube. mas apunhalaram-me as costas, meus filhos. desejaram-me morto, ossos e pó. auscultaram-me o coração, buscando dos meus sentires o controle. quanta blasfêmia! como ousaram? ao entardecer chamei-os à morada dos justos, onde a loucura entrecruza as mãos e o céu parece oco, resignado pela imensidão azul. sê prudente, disse ao primeiro. ao segundo murmurei cirandas, restos de uma infância envelhecida que lhe carcome as pálpebras. fiz-me labirinto com as virtudes que vocês não conseguiram suportar, escutaram os demais. sou quem sonambula misérias alheias ao tempo. de migalhas faço meu pão. de assombros, a saliva e o verbo. tolos! pensaram vocês que eu ruiria porque atraiçoado? caída a noite o medo se alarga, infestando de leitos o despertar da felicidade. como sairão daqui? amedrontados feito cães, fugiram aos bandos. sei que acenderão velas ao que desconhecem. as súplicas que deixaram para trás, carregarei comigo até livrar-me do outono. há noite sobrevinda em mim. anjos guardarão meu nome.
segunda-feira, setembro 15, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
- há traidores entre os que ficam.
- estendo-lhes a mão, num gesto apiedado?
- têm medo, escuta-os.
- caída a noite, definham agarrados aos sonhos que não possuem. trazem na boca o sopro da desventura e em seus ossos crescem larvas pegajosas, arrodeadas pelo desamparo.
- dissésseis seus nomes e já teriam partido?
- anciãos, aqui chegaram e aqui ficarão até a morte. pios, sussurram antigas preces.
- arranco-lhes os olhos?
- deixa-os, a fé lhes rapinará o arrependimento.
- sê clemente.
- erguerei pontes entre falsos céus. penetrarei-me do verbo. selarei-lhes o próximo alvorecer.
segunda-feira, setembro 08, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I

girassóis adoecem em minhas entranhas, eu disse, enquanto dava-lhes as costas como se fosse possível esquecer quem são. míseros, como ousam julgar meus atos? sabem vocês a crueza das palavras a roer meu crânio? restos de esperança espumaram em minha boca, mas vocês aqui não estavam quando os chamei pelo nome. condeno-lhes a rastejar, então. porque há cores que escapam ao envelhecer e disso vocês não sabem. porque há desertos invioláveis sob meus pés e isso vocês não suportam. porque na terceira manhã pari-me imune à paz interior e por isso vocês padecem. devolvo aos que ficam as memórias. roubo-lhes a vigília. esmorece o céu. anjos venerarão meu nome.
domingo, agosto 31, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
- cheguei até aqui à revelia de deus. não pretendo voltar.
- cobra um preço, a felicidade?
- cobre-nos de silêncio, a esperança?
- contemplam-me os homens. buscam em mim respostas que aliviem a insignificância da vida quando trilhada ao avesso. demência. demência é o que revela a alma de cada um.
domingo, agosto 24, 2008
"prelúdio ao homem de palha". (não-livro) tomo I
é preciso inventar um dia de sol e de paz. rirão de mim, dizendo a lucidez escorrer pelos cantos da minha boca e que a aflição dos meus órgãos, desastre, desagrego, rumará comigo até o fim. à porta, são vozes confusas e apressadas a paisagem que me esmiúça o desespero. ergo os fantasmas e sigo. sombras, destino. afã, amargura. há tormentos lacrados em meus olhos, horizonte a me espreitar. há um aporte ao que resta da minha dignidade. anjos ecoarão meu nome.
quarta-feira, agosto 13, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
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(tiquetaquear)
amorfo
que
e no hálito trazia saudade –
um eco sujo de mar
terça-feira, julho 29, 2008
terça-feira, julho 22, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
segunda-feira, junho 02, 2008
sem que ninguém compreenda
a dor que me escava
os temores que me consomem
o silêncio que não me abandona
a demência enfurecida
que costura meus sonhos
ao avesso
busco-a madrugadas afora
entre memórias e escombros
até que sombras recaiam
sobre meus ombros fustigados
lançando-me de volta ao início
margeado pela confusão de quem
regressa carregando um cadáver
terça-feira, maio 13, 2008
o silêncio que sobrevive ao abandono
é um cão faminto, inquieto
velado por sombras alheias
vide, descobriu-nos pequenos
frágeis, mentirosos
multidão envolta em preces
ansiando por dias melhores
prenúncio, eis que finalmente chega
aportando naquilo que resta
limiar da sanidade, onde somos
domingo, abril 27, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
neste tempo miúdo que me cabe
silencio você.
desfaço as páginas do sol-abismo
sentencio você.
nesta estação deserta que me inverna
re-leio você.
imunizo as artérias do coração-sepulcro
renego você.
*
INCÔMODO
eu não caibo em sentimentos
eu não acredito na felicidade
eu caminho lugares sem cor
eu emudeço os pingos da chuva
eu guardo fios de memória
eu acumulo esperança nos ossos
*
PESAR
tenho comigo um sol poente
- a mim faltam-me estrelas cadentes -
afundei meus barquinhos de papel
- fiz do lamento uma pálpebra-lodo -
meu destino, escrevi-o invertebrado
- desde o início fui apenas um falso sonho-bom -
*
ADEUS
sou um tumor que chegou ao fim
um nó atando teus fantasmas
uma fratura expondo teus tropeços
um erro negando teu deus
um lamento desfocando teu olhar














