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a poesia daqui
menos grito que descrença
excede-me quando, preciso
[feito cirurgia]
a olho nu
suturo um a um
os medos que se emprenham de mim
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domingo, agosto 29, 2010
quinta-feira, agosto 12, 2010
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nascido daqui...http://www.palavrassobrepostas.blogspot.com/
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tudo desaba em mim
a rota que me trouxe ao silêncio,
lugar onde me despeço do medo.
incrédulo, não devolvo aos mortos
que me são caros
a dor de ter restado, sozinho.
eles ficam-me em desespero
à espera de um próximo dia
manchado de destino e adeus.
a rota que me trouxe ao silêncio,
lugar onde me despeço do medo.
incrédulo, não devolvo aos mortos
que me são caros
a dor de ter restado, sozinho.
eles ficam-me em desespero
à espera de um próximo dia
manchado de destino e adeus.
segunda-feira, agosto 02, 2010
releitura número dois
domingo, julho 18, 2010
releitura número um

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pai,
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esses anjos da morte
livrai-os de mim
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esses anjos do medo
livrai-os de mim
.
esses anjos descrentes, esses anjos videntes, esses anjos que mentem
esses anjos que abandonam e esquecem
livrai-os de mim
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pai,
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livrai-os de mim, os anjos
livrai-os daqui, enquanto sonho
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pois lá fora auroras já chegaram
e eu preciso descansar-me em paz
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terça-feira, julho 06, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
não é o tempo breviário? testemunho de terem nascido os homens para a morte porque vida é tudo que foge à eternidade? por isso criei a ternura e fiz dos anjos mensageiros de minha imensidão. por isso exprimi a dor que me consome naquilo que vocês ousaram chamar de esperança. por isso, fiz de mim expiação. eu, a quem chamam de louco. eu, de quem esqueceram o rosto. abismo aos míseros e redenção aos condenados. eu, que das margens pari a nascente, digo-vos novamente: sou-me carne a quem fui solidão.
sábado, junho 12, 2010
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trancava-me na imagem de que um dia eu iria crescer e ficar idêntico aos demais essa gente adulta que não sabe nada do sofrer porque não enxerga o escuro crescendo por dentro das unhas até chegar aos ossos e não escuta o alvoroço larval que se aloja em meu cérebro quando mais um anjo da guarda desiste de mim só porque nas memórias que terei eu sou feito à imagem e semelhança dessa gente adulta repugnante em sua limpeza ah essa limpeza tão precisa e medonha parida do meu noviciado a se alimentar de tudo que é puro porque nós precisamos de qualquer coisa que tenha mácula e morra incessantemente para que enfim eu possa nascer outro e saiba menos deles todos e nada mais de mim, deus.
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para maura lopes cançado
domingo, maio 23, 2010
sobras de um livro porvir
IV
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porque a solidão que me consome
é menos destino do que músculos
e odeia a todos como quem não escapa de si
[desmundo escarrado no rosto]
temor de acabar sem ter fim
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terça-feira, maio 11, 2010
sobras de um livro porvir

I
refugiar-me aqui
onde não há mais traços de você
e ao silêncio aferrolhar o inverno
para que o tempo recue
limpando de mim toda cicatriz
II
relembrar-me aqui
onde ainda sou você
é desmesurar o que perdoa
esqueletando o destino
para levar de mim todo sonho
III
brincar-me aqui
entre os girassóis que teus cílios plantei
é carrosselar feito criança
que descobre em seus dedos
ninharal de arco-íris
refugiar-me aqui
onde não há mais traços de você
e ao silêncio aferrolhar o inverno
para que o tempo recue
limpando de mim toda cicatriz
II
relembrar-me aqui
onde ainda sou você
é desmesurar o que perdoa
esqueletando o destino
para levar de mim todo sonho
III
brincar-me aqui
entre os girassóis que teus cílios plantei
é carrosselar feito criança
que descobre em seus dedos
ninharal de arco-íris
sábado, maio 01, 2010
occludo
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mas não é tudo silêncio? os dias. os desassossegos. a terra úmida que sepultará minha incompletude. mas não é tudo um ciclo? rio onde outrora éramos memória. primavera que deserta turva-nos o poente. paragem áspera desaninhando pardais.............................
[o húmus do qual fiz meus ossos e carne..............................
gesta um amanhã atado ao que não virá]
segunda-feira, abril 26, 2010
não saberíamos viver com memórias feitas de restos, ela disse
naquele poente de domingo com gosto de chuva.
somos Áries, ajudar-lhe-ei a tirar as botas como Laura o fez
e a borboleta litografada voará liberta da parede
dança feita de encantamentos
porque era assim que se via às vezes, como que nascida de um livro
só que não amareleceria, nunca.
então pariu-se fêmea àquele desconhecido
no tapete sobre o chão
ali mesmo, entre as roupas e sonhos do homem que ama
porque a ele negou-se ao entregar-lhe o coração
mesmo desejando dele ser pra sempre, doce mania de querer-se um conto
porque Áries é o signo da solidão
e solidão tem fome de todos
e não sabe devorar a si
e acaba sem ninguém
porque ninguém nos quer, os solitários
mas isso aquele estranho nunca saberia,
porque nus, bêbados de lascívia e de gozo
já perto do anoitecer, a si bastavam.
naquele poente de domingo com gosto de chuva.
somos Áries, ajudar-lhe-ei a tirar as botas como Laura o fez
e a borboleta litografada voará liberta da parede
dança feita de encantamentos
porque era assim que se via às vezes, como que nascida de um livro
só que não amareleceria, nunca.
então pariu-se fêmea àquele desconhecido
no tapete sobre o chão
ali mesmo, entre as roupas e sonhos do homem que ama
porque a ele negou-se ao entregar-lhe o coração
mesmo desejando dele ser pra sempre, doce mania de querer-se um conto
porque Áries é o signo da solidão
e solidão tem fome de todos
e não sabe devorar a si
e acaba sem ninguém
porque ninguém nos quer, os solitários
mas isso aquele estranho nunca saberia,
porque nus, bêbados de lascívia e de gozo
já perto do anoitecer, a si bastavam.
quarta-feira, abril 21, 2010
.
I
levemos a beleza adiante.
o que restaria?
II
lembro de um dia qualquer
mas especial porque estava contigo
e você sorria como quem salva do tempo a leveza
que esquecemos junto aos brinquedos
empoeirados pelo destino do velho baú
– reinvento dia após dia a minha infância
é a forma que encontro para em mim nada mais partir...
III
ipês brancos, disseram
mas estamos outono e na primavera faço aniversário e não há amigos por perto e meu avô minha tia e minha mãe já morreram e eu esqueci como abraçar meu pai e meu irmão é o estranho que me fiz.
você ainda estará por lá?
ainda saberei do teu cheiro?
teus rastros caminharão o homem que sou em mim?
IV
a beleza que é gratuita
contenta-se com um olhar
um abraço
um adeus, quando for a hora
(convença-me do contrário, tu e as tuas verdades)
V
eu sempre cri nas tuas mãos
nas linhas dos teus destinos que são meus cata-ventos
trôpego e irascível que sou
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levemos a beleza adiante.
o que restaria?
II
lembro de um dia qualquer
mas especial porque estava contigo
e você sorria como quem salva do tempo a leveza
que esquecemos junto aos brinquedos
empoeirados pelo destino do velho baú
– reinvento dia após dia a minha infância
é a forma que encontro para em mim nada mais partir...
III
ipês brancos, disseram
mas estamos outono e na primavera faço aniversário e não há amigos por perto e meu avô minha tia e minha mãe já morreram e eu esqueci como abraçar meu pai e meu irmão é o estranho que me fiz.
você ainda estará por lá?
ainda saberei do teu cheiro?
teus rastros caminharão o homem que sou em mim?
IV
a beleza que é gratuita
contenta-se com um olhar
um abraço
um adeus, quando for a hora
(convença-me do contrário, tu e as tuas verdades)
V
eu sempre cri nas tuas mãos
nas linhas dos teus destinos que são meus cata-ventos
trôpego e irascível que sou
.
VI
não, não sou eu quem traz as notícias das manhãs domingo
elas são de outros lugares onde sou deserto
cacto que ninguém vê
(durmo aquietado pra não te acarinhar aqui)
.
não, não sou eu quem traz as notícias das manhãs domingo
elas são de outros lugares onde sou deserto
cacto que ninguém vê
(durmo aquietado pra não te acarinhar aqui)
.
VII
eu sairia tarde afora com teus pés nos meus descalços
e do teu coração grande demais
bastar-me-ia o não visível
pra do teu sono, ser quem contigo irá despertar
VIII
há no tempo incerteza
errante que somos.
eu sairia tarde afora com teus pés nos meus descalços
e do teu coração grande demais
bastar-me-ia o não visível
pra do teu sono, ser quem contigo irá despertar
VIII
há no tempo incerteza
errante que somos.
com amor,
d.
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quinta-feira, abril 15, 2010
domingo, março 07, 2010
domingo, fevereiro 07, 2010

esqueceram
as brincadeiras que juntos inventavam
mãos olhos pés sorrisos de nanquim
sob noites enluaradas que os visitavam no quintal?
.
.
a casa está vazia...
.
.
e daqueles dois irmãos que sozinhos
escutavam-se vozes de estrelas cadentes
resta um assombro entranhado na alma
deserto lugar onde antes havia leveza e sonhos
.
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perdoai-nos, mãe...
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segunda-feira, fevereiro 01, 2010
sexta-feira, janeiro 22, 2010

ao arseniï tarkovskiï
I
(murmúrio)
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abrigo-me do vazio
sou um velho recontando estórias
aos que não estão mais aqui para escutar
.
II
(prece)
.
livrai-me do medo
dessas noites que me devoram
a quietude da solidão
.
III
.
(repouso)
.
partiram deixando-me a vida
e fiquei sem ter a quem dizer
adeus
.
IV
(girassóis)
.
encontrarei vossos sorrisos
como um louco à tempestade
o céu sob nossas pálpebras abrindo-se, outra vez...
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domingo, janeiro 10, 2010

I
não sou habitado por silêncios:
antes sonho-me posse da noite
e meus demônios partem, sozinhos.
II
de minha infância resta um copo de prata:
ocupo-me de atalhos a quem não sou
meus registros parem memórias baldias
III
o medo guarda algo de espeerança:
oculta-se das preces o labor
remendamos os erros de deus ao concedermos perdão
IV
escuta o pai adormecer-nos filho:
em seus olhos havia ternura
coisa que há muito deixamos para trás
sábado, janeiro 02, 2010
quinta-feira, dezembro 17, 2009

cantiga à vó nazaré
in memorian
in memorian
I
a doce vó partiu
e aquela manhã vestida de luto
sobre nossos ombros desabou
a imensidão do céu
.
II
a morte fratura memórias
ossada abandonada por deus
porque já não temos para onde ir
porque já não há mais a quem falar
II
a morte fratura memórias
ossada abandonada por deus
porque já não temos para onde ir
porque já não há mais a quem falar
.
III
vó,
diz-nos então de que vale agora
prece lamento e pranto
se miseráveis que somos
há muito de ti fizemo-nos distantes?
.
III
vó,
diz-nos então de que vale agora
prece lamento e pranto
se miseráveis que somos
há muito de ti fizemo-nos distantes?
.
IV
vó,
não te abracei porque frio
não te escuto porque ímpio
não te mereço porque são
vó,
não te abracei porque frio
não te escuto porque ímpio
não te mereço porque são
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