era feita de carne e osso não era esse arremedo de mulher escondido sob tanta amargura desconfiança melancolia e desamor que pune a si ao enumerar forçosamente cada detalhe da madrugada onde tudo começou [aje desta maneira todos os dias exceto aos domingos quando finge estar em paz] porque não pode esquecer primeiro ter escutado o barulho de passos encurtando a distância entre os quartos seguido pelo ranger da porta que espantou pra sempre o seu anjo da guarda [por isso mais ninguém ouviu aquele sussurro ordenando que ficasse bem quietinha] e assim ficou a madrugada inteira sem saber que outras madrugadas ainda viriam deixando pra trás um silêncio sem nome [de lá pra cá perdeu a conta de quantos consigo deitaram fantasmas que foram] sabe apenas que nenhum será tão sujo mentiroso e assustador porque aquelas mãos a conheciam desde criancinha [e se antes aqueles abraços traziam proteção e segurança hoje são abismos de onde não saberia mais voltar]sexta-feira, abril 10, 2009
era feita de carne e osso não era esse arremedo de mulher escondido sob tanta amargura desconfiança melancolia e desamor que pune a si ao enumerar forçosamente cada detalhe da madrugada onde tudo começou [aje desta maneira todos os dias exceto aos domingos quando finge estar em paz] porque não pode esquecer primeiro ter escutado o barulho de passos encurtando a distância entre os quartos seguido pelo ranger da porta que espantou pra sempre o seu anjo da guarda [por isso mais ninguém ouviu aquele sussurro ordenando que ficasse bem quietinha] e assim ficou a madrugada inteira sem saber que outras madrugadas ainda viriam deixando pra trás um silêncio sem nome [de lá pra cá perdeu a conta de quantos consigo deitaram fantasmas que foram] sabe apenas que nenhum será tão sujo mentiroso e assustador porque aquelas mãos a conheciam desde criancinha [e se antes aqueles abraços traziam proteção e segurança hoje são abismos de onde não saberia mais voltar]terça-feira, abril 07, 2009

tu me sufocas tua presença é sombra quarto vazio que não consigo desocupar por isso de uma vez por todas é hora de dar um basta preciso de distância de um lugar livre da tua superfície você dizia com uma convicção aterradora enquanto eu continuava o processo de transfigurar qualquer sinal de emoções em paisagens habituais momentos já vividos perguntas já respondidas reações já sabidas nada de riscos então porque só assim saberia digerir a culpa que repetias ser apenas minha esquecendo que houve um instante um gesto um ponto onde a verticalidade enganosa da felicidade nos fez tropeçar naquilo que críamos ser amor e que agora adoece diante de nós ar rarefeito que é.
quarta-feira, março 25, 2009
são paulo
sexta-feira, março 06, 2009
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
terça-feira, fevereiro 10, 2009
contaminado fui
pela sua felicidade
você amanheceu-me
primavera e girassóis
arrancou a casca do medo
que voraz me sufocava
você acreditou no menino
de olhos castanhos
e mãos de chuva
que o adulto em mim
ano após ano
lentamente assassinava
mas agora partes
as ruas ficarão desertas
os sonhos ficarão vazios
as noites se farão eternas
e o amanhã talvez não diga
o caminho para te alcançar
pela sua felicidade
você amanheceu-me
primavera e girassóis
arrancou a casca do medo
que voraz me sufocava
você acreditou no menino
de olhos castanhos
e mãos de chuva
que o adulto em mim
ano após ano
lentamente assassinava
mas agora partes
as ruas ficarão desertas
os sonhos ficarão vazios
as noites se farão eternas
e o amanhã talvez não diga
o caminho para te alcançar
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
terça-feira, janeiro 27, 2009

após um daqueles momentos nostálgicos que respingam reflexão fechamos a porta do quarto e você vem com respostas sucintas que nada dizem de fato e olha pra mim com esse olhar que abisma a procurar desesperadamente um chão como se eu que sequer tenho raiz pudesse ser chão margem limite paragem às tuas aflições pouco claras nessas respostas pensadas ruminadas medidas por isso mesmo não as aceito quero é descaminhos a levar-nos pra lugar algum desde que dentro da gente pra dizer coisas das nossas entranhas mesmo que não haja ninguém a escutar ou fazer eco ruído perturbação qualquer capaz de indicar companhia portanto sem respostas diretas porque entender isso de ser feliz não é coisa que valha a pena ou você realmente acha que iríamos descobrir algo que não um punhado de aconselhamentos daqueles tantas vezes ditos por nosso pais ou lições de boas-maneiras ou um amontoado de comedimentos no que retrucas não se tratar de entender isso de felicidade porque a felicidade está tão clara que nem precisa de explicação porque a felicidade não cabe na razão então percebo estares mais uma vez jogando e te roubo as cartas pra ficares desnuda sem poder fingir já que pra você o fingimento sempre deu resultado mas pelas minhas regras hoje só haverá intempéries e será dessa maneira do meu jeito com as minhas regras sob o meu comando e não me venha com balelas porque teus contos de menina mimada não cabem aqui onde há sorrisos e lágrimas tantas tudo misturado acontecendo ao mesmo tempo a ponto de a felicidade novamente a felicidade e demais momentos de solidão euforia e tristeza emergirem de forma tal que não saberia adjetivá-los aqui nesse quarto em ebulição que cresce de forma insuportavelmente asséptica deixando-me distante de mim e mais ainda de ti a quem tanto amo e eu amo tanto você eu preciso repetir que amo você e dizer que tuas mentiras são menores que as minhas e que teus medos sempre nasceram dos meus e que não há tristeza maior do que te ver triste portanto deixa que eu te abrace não precisas dizer mais nada eu sei as respostas inventei-as pra sermos de novo quem fomos ou algo próximo disso porque é natal e isso deve significar alguma coisa e lá na sala todos sorriem trocam presentes felicitações e se é certo que eu não tenho coragem alguma pra sair daqui deixando essa vidinha adoravelmentesegura&confortável para trás também é verdade que nem tu sairias nem ninguém que eu conheça sequer saberia pra onde ir posto haver algo de cíclico sazonal algo de bumerangue mesmo em nós todos que quando crianças éramos estilingue e nuvens e céu e chuva e musgo e pedra mas hoje somos pedregulho uma coisa estática pesada deveras arrastada mas e se eu fosse ao menos tempestade tu serias ventania e com um relâmpago cravado nos dentes sumiríamos com todos que nos rodeiam mas nem todos porque é natal e essa noite dizem ser noite feliz
quinta-feira, janeiro 22, 2009
o sono não é capaz de me vencer......................................repito
fixando os olhos ao que há lá fora
pra que sejam os teus passos
.............................................
........................e não os ruídos
..............................................
doutro amanhecer empalidecido
>>>>>>>>>>>>>>>>>
..................................a chegar
terça-feira, janeiro 13, 2009
acreditava que era possível
preencher o tempo
de uma pausa
[por isso os olhos gritavam]
desenhava ruídos
por dentro dos ossos
esqueleto feito de dor
[porque assim não sangrava]
repartia o medo
entre os mortos
encarnados em de si
[uma só vida não lhe bastava]
depurava virtudes
manipulando a razão
ao buscar o que nem sabia
[emprenhava-se enquanto vagava]
ontem pude vê-la pela última vez
tinham-lhe os olhos calado
a louca dos pés descalços
terça-feira, janeiro 06, 2009

in memoriam
celebro-te
não nestas noites povoadas por medos
que me impedem o sono
e só abandonam-me ao amanhecer
porque assim o querem
porque assim voltarão
celebro-te
não com estes olhos cansados
que me turvam os horizontes
e devoram-me naquilo que falta
porque assim os fiz
porque assim cri
celebro-te
na criança que sobreviveu ao homem
nos sonhos que brincam de chuva
nas aquarelas que cirandam memórias
nos girassóis que alvorecem poesia
no teu amor que eu sei logo mais virá
mãe.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
meus demônios
soube enterrá-los
ao cair da última noite
desse ano acinzentado
que hoje chega ao fim
meus demônios
rodearam-me os caminhos
com passos roubados da terra
e promessas sussurradas
ao nascer do sol
livre deles
desabriguei-me de medos
azulei as noites sem pálpebras
cindi as amarguras silentes
expurgando virtudes e crenças
meus demônios
já não os tenho comigo
e se hoje desconheço o destino
que aos meus destinos sobreviverá
amanhã serei eu o selo a me bastar
soube enterrá-los
ao cair da última noite
desse ano acinzentado
que hoje chega ao fim
meus demônios
rodearam-me os caminhos
com passos roubados da terra
e promessas sussurradas
ao nascer do sol
livre deles
desabriguei-me de medos
azulei as noites sem pálpebras
cindi as amarguras silentes
expurgando virtudes e crenças
meus demônios
já não os tenho comigo
e se hoje desconheço o destino
que aos meus destinos sobreviverá
amanhã serei eu o selo a me bastar
domingo, dezembro 28, 2008

a partir de agora, as postagens do "pelúdio ao homem de palha" ficarão restritas ao blog com o mesmo nome(tem um link ali ao lado). acho que assim o vomitando fica menos chato, ou coisa que o valha.
..
são cadáveres
a sala está cheia deles
posso contá-los noite afora
até cansar
e assim o faço
chamando-os pelo nome
acarinhando-os feito crias
porque míseros
iguais a mim
(é patético vê-los sorrir
é patético sabê-los aqui)
>
a sala está cheia deles
posso contá-los noite afora
até cansar
e assim o faço
chamando-os pelo nome
acarinhando-os feito crias
porque míseros
iguais a mim
(é patético vê-los sorrir
é patético sabê-los aqui)
>
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trazem nos olhos a cor do esquecimento
pois não sabem mais viver
sem que o medo os consuma
impunemente
e assim o fazem
celebrando a mediocridade
resguardando as aparências
porque bastam-se
agarrados a si
( é mordaça vê-los destino
é assombroso sabê-los meu fim)
trazem nos olhos a cor do esquecimento
pois não sabem mais viver
sem que o medo os consuma
impunemente
e assim o fazem
celebrando a mediocridade
resguardando as aparências
porque bastam-se
agarrados a si
( é mordaça vê-los destino
é assombroso sabê-los meu fim)
quarta-feira, dezembro 17, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I
terça-feira, dezembro 09, 2008
"prelúdio ao homem de palha" tomo I
.
.
.
do que chamam vida
a inervação
onde toda claridade recua
sei
haverá homens
soterrados porque loucos
e em seus músculos e ossos
páginas em branco
.
.
a inervação
onde toda claridade recua
sei
haverá homens
soterrados porque loucos
e em seus músculos e ossos
páginas em branco
.
.
do que dizem morte
o desassossego
onde toda fé desmorona
sei
haverá anjos
esquecidos porque lúcidos
e em suas asas e pálpebras
nuvens de chuva
quinta-feira, novembro 27, 2008
"prelúdio ao homem de palha" tomo I
segunda-feira, novembro 17, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I
sábado, novembro 01, 2008
"prelúdio ao homem de palha".(não-livro) tomo I

ao carlos sousa de almeida
praestantia
há um nada
a corroer-me a vigília
espaço turvo
entre os mortos
os que ficam
os que vagam
dentro de mim
eu gestei o sonho
do qual são vocês
apenas a pálpebra
há rezas caducas
só ouvidas quando noite
ponte atada
ao desassossego
dos que imolam
dos que arrefecem
alheios a mim
eu pari a sentença
da qual são vocês
apenas o verbo
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