o que hoje ouvimos em ti, antes chamaríamos vida? frágil, feito gotas de chuva descendo pelo telhado. cansado, feito amanhecer que desconhece o orvalho. antes, quarto algum acomodaria tua felicidade, escrita em desespero e embriaguez? não havia arrependimento ou culpa e isso te fazia sorrir como jamais sorriria alguém. por que então aqui estás, apequenado diante desse deus a quem não davas atenção? tuas palavras não tinham contornos e revelavam de ti o sombrear da lucidez. tua loucura atravessou a alma dos homens e alcançou a infância por eles deixada pra trás. sabias o nome dos que amavas, não eras esse trapo desmemoriado que mija em si mesmo, mal sabendo a quem chamar quando a dor é insuportável. é o que resta. é o que fica. tuas mãos ossudas e pálidas. teus olhos vazios e fixos. e os teus cabelos...como são belos os teus cabelos quando refletem os primeiro raios do sol.
quinta-feira, janeiro 17, 2008
segunda-feira, janeiro 07, 2008
terça-feira, dezembro 25, 2007
(nascido num poema da alice sant'anna, aqui,http://adobradura.blogspot.com/)
I
muitas e muitas vezes
trovoava lá na rua de casa
e nós saíamos a correr
porque brincar na chuva
desaguava-nos alegria
II
mas naquele fim de tarde
trovões emudeceram
trancados no céu cinzento
trancados no céu cinzento
pontuado por nuvens estáticas
por não saberem aonde ir
III
por não saberem aonde ir
III
(a tristeza chegou como uma canção de poucos acordes
a tristeza abriu os olhos e descobriu nosso mundo
a tristeza repousou sobre nosso peito
a tristeza rasgou as folhas do nosso caderno de desenho...
se a tristeza existia, por que não nos avisou?)
IV
e as mãos dos meninos que outrora
andorinhavam sóis poentes
a tristeza abriu os olhos e descobriu nosso mundo
a tristeza repousou sobre nosso peito
a tristeza rasgou as folhas do nosso caderno de desenho...
se a tristeza existia, por que não nos avisou?)
IV
e as mãos dos meninos que outrora
andorinhavam sóis poentes
procuravam pardais que pudessem
levar embora o peso da morte
e deixar nossa mãe, conosco
levar embora o peso da morte
e deixar nossa mãe, conosco
terça-feira, dezembro 18, 2007

I
há culpa nas mãos dos homens
ei-los aqui, sujos
ecoando frases vazias
maquinando na minha cabeça
o eixo a ser seguido
furiosos e sãos
abrem todas portas
quando chego
e ficam estáticos
diante de mim
espiando
você dirá que eu mesmo os invento e nutro
mas neles creio porque todo homem deve crer
em algo ou alguém que não esteja limpo
deles sou o foco
eles, minha redenção
domingo, dezembro 09, 2007
por fim, despertara
muito embora ainda não soubesse
pois há tanto tempo caminhava entre escombros
arrastando suas memórias como quem envelopa um adeus
que agora não passava dum forasteiro de si próprio
por fim, descansara
antes fosse esse homem feito de palha
com as mãos estendidas ao infortúnio
descobrindo à sombra da solidão
que a felicidade é um lugar possível de sonhar
(agosto chegara ao fim quando abriu as janelas do quarto
e esperou os primeiros raios do sol)
muito embora ainda não soubesse
pois há tanto tempo caminhava entre escombros
arrastando suas memórias como quem envelopa um adeus
que agora não passava dum forasteiro de si próprio
por fim, descansara
antes fosse esse homem feito de palha
com as mãos estendidas ao infortúnio
descobrindo à sombra da solidão
que a felicidade é um lugar possível de sonhar
(agosto chegara ao fim quando abriu as janelas do quarto
e esperou os primeiros raios do sol)
quinta-feira, novembro 29, 2007
quarta-feira, novembro 07, 2007
segunda-feira, outubro 29, 2007
segunda-feira, outubro 15, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
domingo, setembro 23, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
corriam e gargalhavam e falavam alto
e guerreavam travesseiros
e acendiam e apagavam as luzes
e suavam e suavam como crianças encapetadas,
os anjos da guarda
enquanto o menino sonhava
o beijo da mãe a despertar-lhe ao amanhecer
porque estava longe, nos sonhos, da maldita morte
que veio e a levou embora dali...
(a vida segue a trair-nos alastrando a crença
na felicidade duradoura
porque tolos, tolos é o que somos)
pro amigo esquilo, outra vez.
quarta-feira, setembro 05, 2007

pro amigo esquilo
o menino sujo de tinta
despertava com anjos terríveis
azucrinando-lhe os céus
que dentro de estrelas-anãs
eram trincheiras pros dias tristes
quando a primavera esquecia de
respirar
(a esperança é um punhado de cores pintadas sob as nossas pálpebras, dizia)
o menino sujo de tinta
esbravejava com os anjos terríveis
que lhe roubavam todos os sonhos
deixando restos de pele morta
espalhados pelos jardins
que assim não mais podiam
verdejar
(a felicidade é um mero traço em nanquim que não espera por ninguém, repetia)
terça-feira, agosto 28, 2007

pra amanda raña
(há um mundo de mim nisso tudo)
(há um mundo de mim nisso tudo)
esvaziaram todas as vozes
antes de o silêncio poder ocupar
o medo que fervilha bem no fundo
da minha cabeça
inquietando-me
lançando-me às ruas
calçando-me os pés
com sapatos apertados
que não sabem dançar
por isso prescrevem remédios
por isso roubam meus precipícios
por isso sentenciam meu destino
deixando-me terrivelmente só
quando partem antes do alvorecer
e ocultando o lugar de onde vieram
indiferentes, sequer olham para trás
quando partem antes do alvorecer
e ocultando o lugar de onde vieram
indiferentes, sequer olham para trás
domingo, agosto 19, 2007
por fim, despertaramuito embora ainda não soubesse
pois há tantas gerações caminhava entre os vivos
arrastando suas memórias como quem envelopa um adeus
que agora não passava dum forasteiro de si próprio
por fim, descansara
antes fosse esse homem feito de palha
com as mãos estendidas ao infortúnio
descobrindo à sombra da solidão
que a felicidade é um lugar possível de sonhar
(agosto chegara ao fim quando abriu as janelas do quarto
e esperou os primeiros raios do sol)
domingo, agosto 12, 2007

às seis horas,
vê-se restaurando palavras
num ritual de gestos contidos
escarafunchando os motivos de ter ficado ali
ano após ano coberto pelo fingimento
dependente dos respiradouros
incrustados em suas entranhas
às seis horas e vinte minutos,
uma pausa
na microscopia do encarceramento,
vê-se restaurando palavras
num ritual de gestos contidos
escarafunchando os motivos de ter ficado ali
ano após ano coberto pelo fingimento
dependente dos respiradouros
incrustados em suas entranhas
às seis horas e vinte minutos,
uma pausa
na microscopia do encarceramento,
o triunfo das manhãs acinzentadas.
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